Transformar macarons em obras de arte

Pequeno, redondo, delicioso e delicado, o macaron é um dos doces mais icônicos da França, considerado patrimônio nacional pelos franceses e objeto de desejo de turistas do mundo inteiro. No entanto, a jovem suíça Kim Delia, decidiu transformar macarons em obras de arte, fazendo deste doce secular uma tela em branco para a mais alta criatividade.

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O que é macaron?

O macaron é um pequeno biscoito feito com farinha de amêndoas, granuloso e molinho, de forma arredondada com em média de três a cinco centímetros de diâmetro. Como dito, é uma especialidade em diversas cidades e regiões da França e por isso a receita e apresentação pode mudar de um lugar a outro. Alguns exemplos são os macarons de Amiens, Boulay , Chartres, Cormery, Joyeuse, Le Dorat, Massiac, Montmorillon, Nancy, Rau, Saint-Émilion, Sainte-Croix Lannion ou Sault. São as cidades em que o macaron é sem duvida, um patrimônio gastronômico.

Todos os macarons das cidades citadas têm em comum o fato da massa de base ser um derivado do merengue (massa de suspiro), farinha de amêndoas, açúcar de confeiteiro, açúcar comum e clara de ovo. Normalmente a receita pede a mesma quantidade de açúcar de confeiteiro e de farinha de amêndoa. As demais medidas podem variar de receita para receita, algumas receitas de macarons podem incluir recheios, outras não. Outra tradição que não muda é que além de serem redondos todos os macarons são assados, porém a temperatura e o tempo de forno também variam de receita para receita.

Em 1792, em Nancy, onde o macaron era preparado pelas comunidades religiosas, as irmãs da congregação Damas do Santíssimo Sacramento, Marguerite Gaillot e Marie-Elisabeth Morlot, começaram a comercializá-los. Até então, o macaron era um simples biscoito de amêndoa, crocante por fora e macio por dentro. Foi na década de 1830, que tiveram a ideia de montar dois biscoitos de macarons e recheá-los com geléias, especiarias ou licores, e depois com diferentes sabores de creme, ganaches ou marmeladas. No início do século 20, a doceira Ladurée de Paris criou o macaron colorido em sua forma atual com uma grande variedade de cores e sabores.

Hoje o doce é encontrado em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde é comercializado em confeitarias, restaurantes, algumas padarias e até mercados.

Obras de arte

Embora as receitas sejam relativamente simples, fazer macarons requer prática, tempo e paciência, para que saiam perfeitos. Assim, se para a artista Kim Delia ser capaz de criar macarons impecáveis já é impressionante, imagine levar suas habilidades um pouco mais longe e usar a comida como base para suas incríveis esculturas comestíveis.

Moradora de Berna, capital da Suíça, a jovem tem 26 anos e já trabalhou como florista e costureira. Foi em um dia depois de voltar do trabalho, há dois anos, que ela decidiu cozinhar uma fornada de macarons. “Parecia muito bom, mas era horrível de comer!”. Persistente, ela continuou tentando, até que eles ficassem perfeitos.

As primeiras encomendas surgiram no início em 2019 e, mesmo assim, a jovem ainda não se considera uma artista. “Eu ainda estou aprendendo”! Depois de se sentir segura com as receitas de macarons, ela percebeu que seria a hora de inovar e entrou para o universo dos macarons decorativos. “Eu pertenço a um grupo de cozinheiros e outros membros estão sempre trocando técnicas e fotos de seus macarons”.

Suas criações envolvem personagens fofos, ícones da cultura pop, declarações de amor e até mesmo referências à filmes e séries. Apesar da beleza, no entanto, ela deixa claro que o principal aspecto de sua arte não é o sabor. Para chegar neste resultado, ela precisa manusear muito estes pequenos doces, transformando a estética em verdadeira protagonista. “Essa é a única maneira que eles ficam assim. Então, não posso dizer que o sabor é a coisa mais importante quando os faço. Mas quando estou procurando macarons ‘normais’, o sabor definitivamente vem em primeiro lugar”, deixa claro para quem quiser encomendar suas criações.

Macarons e o Covid-19

Seu último macaron faz referência ao início da pandemia do coronavírus, quando centenas de imagens de pessoas comprando rolos e mais rolos de papel higiênico circularam pelas redes sociais. Afinal, para combinar com a doçura do macaron, nada como uma crítica ácida, assim como deve ser a arte.