Tomates pretos aparência incomum e maior aporte nutricional

Geralmente, ao escolhermos tomates, a nossa preferência é pelos mais vermelhos e brilhantes, mas isto está para mudar. Os tomates pretos, ou índigo rose, são uma variedade não tão recente de tomates que tem ganhado mercado muito rápido, não somente pela sua aparência um tanto incomum, como pelo seu maior aporte nutricional, principalmente pela grande quantidade da antocianina petunidina, um pigmento responsável pela sua cor escura e com um forte poder antioxidante.

As antocianinas, muito presentes em uvas rosadas, consequentemente, em vinhos tintos, é um composto orgânico natural que pode ser encontrado naturalmente em vegetais e sua função é fornecer proteção para a planta contra radiação ultravioleta, doenças e insetos, como é o caso do fungo Botrytis cinerea.

Desenvolvido no ano de 2012, por cientistas da Universidade Estadual do Oregon, nos EUA, o tomate “índigo rose” foi obtido por meio de cruzamento de plantas de tomate vermelho e roxo, sendo assim, o fruto não é classificado como um OGM (organismo geneticamente modificado) e hoje já é considerado um superalimento. O tomate preto começa a se desenvolver como uma fruta verde normal, mas amadurece para um vermelho vinho bem escuro, o que faz com que sua cor seja confundida com preto.

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São muito saborosos e suculentos, porém seu sabor não é tão doce como os tomates tradicionais, mas ligeiramente mais salgado e ácido, sendo indicado para o consumo assado ou crú em saladas. O tomate preto é facilmente cultivado, inclusive em hortas caseiras.

Devido a falta de literatura sobre esse fruto, não foi possível encontrar informações específicas em relação a sua composição nutricional e benefícios exclusivos dos tomates pretos, a não ser a grande quantidade de antocianinas do alimento.

Benefícios das antocianinas

– Forte poder antioxidante: O corpo produz naturalmente compostos chamados de radicais livres, que são responsáveis por um processo chamado estresse oxidativo, esse processo pode contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças. Os antioxidantes possuem potencial para inativar os radicais livres, trazendo assim efeitos anti-inflamatório, cardioprotetor, anticancerígeno e regulador do sistema imunológico.

– Previne o câncer: Além de agir como um anti-inflamatório natural, a antocianina também promove ação antimutagênica. O conceito de mutagenicidade consiste em substâncias que podem induzir mutações e essas serem transmitidas, via células germinativas, para as gerações futuras ou até evoluir e causar câncer. Entretanto, muitos corantes naturais, a exemplo da antocianina, apresentaram potencial, como confirmado por cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

– Contribuem com o emagrecimento: O consumo de antocianinas por si só não emagrece, mas pode combater algumas alterações metabólicas que estão ligadas a obesidade e ao sobrepeso. Elas reduzem as inflamações, melhorando a ação da leptina, ou seja, facilitam o controle do apetite, controlam a glicemia e diminuem o acúmulo de gordura e ainda aumentam a sensibilidade à insulina.

– Promove a saúde ocular: Embora os pesquisadores ainda não entendam exatamente os mecanismos, estudos mostram que o consumo regular de antocianinas ajuda a manter a saúde ocular e a prevenir o aparecimento de alguns problemas visuais.

Outro efeito benéfico das antocianinas é a melhora do quadro e da progressão de um tipo de glaucoma, conhecido como glaucoma de ângulo aberto. Mas um estudo mostrou que este efeito foi observado em pacientes que já utilizavam medicamentos específicos para o problema, o que sugere que as antocianinas podem ser usadas apenas como um tratamento auxiliar.

– Ajuda a controlar a pressão arterial: Os efeitos das antocianinas na inflamação, na obesidade e no controle da glicemia contribuem, mesmo que de forma indireta, para um melhor controle da pressão sanguínea. Sendo assim, o consumo regular e sem exageros de alimentos ricos em antocianinas pode ter um impacto positivo em pessoas com hipertensão.

Outros tomates pretos

O índigo rose é o único tomate preto real e é o mais escuro que já foi criado, mas já existem outras cepas de tomates com coloração escura, similar ao índigo rose, como é o caso do ‘sun black’, criado na Ítalia, através de um projeto de pesquisa coordenado pela Escola Superior Santa Anna de Pisa, ou o ‘black galaxy’ desenvolvido pela empresa Technological Seeds, em Israel.

Ainda existem outras variedades norte americanas como o Black Krim e Cherokee roxo, porém esses tem suas cores provenientes de um processo totalmente diferente, pelo qual a clorofila não é degradada de forma eficiente, resultando no acúmulo do pigmento feofitina na fruta.