Sol o responsável pela vitamina D

A vitamina D é um hormônio esteroide lipossolúvel, ou seja solúvel em gorduras, essencial para o corpo humano e sua ausência pode proporcionar uma série de complicações. Afinal, ela controla 270 genes, inclusive células do sistema cardiovascular. A principal fonte de produção da vitamina D se dá por meio da exposição solar, pois os raios ultravioletas do tipo B (UVB) são capazes de ativar a síntese desta substância, sim, é correto dizer que o sol é o responsável por 80 a 90% da vitamina D que o corpo recebe.

A vitamina D foi denominada desta forma em 1922, pois naquela época acreditava-se que ela só poderia ser obtida por intermédio da alimentação. Ela foi batizada de D por ter sido a quarta substância descoberta, depois das vitaminas A, B e C. A partir da década de 1970 os pesquisadores descobriram que a vitamina D poderia ser sintetizada pelo organismo, ou seja, na realidade ela é um hormônio, não uma vitamina.

Qual a quantidade necessária para o organismo

Segundo diversos estudos realizados recentemente, entre eles um da Universidade do Wisconsin, Estados Unidos, e outro da Universidade de Toronto, Canadá, a orientação para pessoas com mais de 50 quilos é consumir entre 5.000 e 10.000 unidades de vitamina D ao dia. O mesmo vale para as gestantes e lactantes.

No caso das crianças a orientação é ingerir até 1.000 unidades de vitamina D para cada 5 quilos de peso. Então, uma criança que pesa 30 quilos, por exemplo, pode ingerir até 6.000 unidades de vitamina D.

Como obter a vitamina D

A melhor forma de manter bons níveis de vitamina D, como defende a Organização Mundial da Saúde, é garantir a exposição ao sol, e não é preciso ficar muito tempo debaixo dele, 15 a 20 minutos por dia são o suficiente. São os raios UVB que estimulam a produção da substância na pele. Saiba que o organismo tem mecanismos de controle para a síntese da vitamina e, por isso, aqui não há risco de toxicidade. É evidente que tempo demais sob o sol sem a devida proteção continua contraindicado, como tudo na vida deve-se manter o equilíbrio, e esse raciocínio se estende à vitamina D: não devemos criar uma nova doença para evitar outra.

Ao se expor ao sol para obter a vitamina é importante não passar o filtro solar. Para se ter uma ideia, o protetor fator 8 inibe a retenção de vitamina D em 95% e um fator maior do que isso praticamente zera a produção da substância. Para evitar o câncer de pele, após o tempo recomendado para obter a vitamina, passe o protetor solar.

As janelas também atrapalham a absorção da vitamina D, isto porque os raios ultravioletas do tipo B (UVB), capazes de ativar a síntese da vitamina D, não conseguem atravessar os vidros.

Alguns alimentos, especialmente peixes gordos, sardinha e atum em lata, fígado de boi, ovos, iogurtes, manteiga, também são fontes de vitamina D, ela também pode ser produzida em laboratório e ser administrada na forma de suplemento, quando há a deficiência e para a prevenção e tratamento de uma série de doenças.

Todos os alimentos que fornecem vitamina D, sem exceção, são de origem animal, isso porque os vegetais não conseguem sintetizar a vitamina.

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Os principais benefícios da vitamina D

– Melhora o sistema imunológico: A vitamina D ajuda na proteção contra o desenvolvimento de condições autoimunes (condição que ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano), e no tratamento delas. O tratamento pode não só evitar que a doença avance como também proporcionar a recuperação de sequelas recentes. Tudo irá depender da doença e do tempo que a pessoa tem as sequelas, por isso o quanto antes iniciar o tratamento, melhor.

É importante ressaltar que este tipo de tratamento com suplementos de vitamina D deve ser realizados somente por médicos, pois o consumo em excesso da substância por conta própria pode causar sérios problemas para a saúde.

– Contribui para a saúde óssea e dos dentes: A vitamina D desempenha um papel importantíssimo na absorção de cálcio para os ossos e dentes. O calcitriol (vitamina D convertida) trabalha com o hormônio da paratireóide para manter os níveis de cálcio. Além disso, a vitamina D tem um efeito sobre outras vitaminas e minerais importantes que contribuem para a saúde, incluindo a vitamina K e o fósforo.

A deficiência de vitamina D pode resultar no amolecimento dos ossos ou raquitismo, a falta dela também aumenta o risco de desenvolver osteoporose e fraturas.

– Ajuda a prevenir o diabetes: O fato da vitamina D influenciar a produção de renina também é interessante para prevenir o diabetes, pois a falta desta substância favorece a doença. Além disso, a produção de insulina pelo pâncreas requer a participação da vitamina D.

– Auxilia na prevenção de doenças cardíacas: Além da renina (que como dissemos necessita da vitamina D para ser produzida) que é o principal regulador da pressão arterial, a falta da vitamina pode levar ao acúmulo de cálcio nas artérias, favorecendo o risco de formação de placas, aumentando as chances de desenvolver doenças cardiovasculares como insuficiência cardíaca, derrame e infarto.

– Uma importante proteção contra o câncer: Os sintomas de deficiência de vitamina D têm sido relacionados com o aumento dos riscos para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como câncer de mama, cólon, melanoma e próstata. De acordo com uma pesquisa publicada no “Frontiers in Endocrinology”, a vitamina D desempenha um papel importante em fatores que influenciam o crescimento do tumor, diferenciação celular e a apoptose (morte da célula).

Isto ocorre porque a substância participa do processo de diferenciação celular, que mantém as células cardíacas como células cardíacas, as da pele como da pele e assim por diante. Desta maneira ela evita que as células se tornem cancerosas. Além disso, a vitamina D ainda promove a autodestruição das células cancerosas.

– Colabora com a regulação hormonal e ajuda a melhorar o humor: Por agir como um hormônio e afetar a função cerebral, a deficiência de vitamina D tem sido associada a um aumento do risco de transtornos de humor, incluindo depressão, transtorno afetivo sazonal e problemas graves de humor durante a TPM, insônia e ansiedade.

Níveis baixos de vitamina D também podem interferir na produção adequada de testosterona e estrogênio, levando a desequilíbrios hormonais com sintomas indesejáveis.

– Ajuda na gestação: Como a vitamina D age no sistema imunológico ela pode evitar casos de abortos no início da gravidez por motivos de rejeição da implantação do embrião. Além disso, no final da gravidez, a ausência da vitamina D pode causar a pré-eclâmpsia, doença na qual a gestante desenvolve a hipertensão.

A falta de vitamina D também aumenta as chances da criança ser autista, pois ela é importante para o desenvolvimento do cérebro do bebê.

Uma pesquisa publicada no The American Journal of Clinical Nutrition feita com mais de 1000 gestantes, observou que quando a mulher ingere a vitamina D os riscos do bebê desenvolver problemas respiratórios diminuem. Outro estudo feito pela Universidade da Carolina do Sul, dos Estados Unidos, com 500 gestantes observou que o suplemento de vitamina D previne problemas como diabetes gestacional, parto prematuro e infecções.

Efeitos colaterais e os risco do consumo excessivo de vitamina D

Quando consumida dentro das quantidades recomendadas a vitamina D não tem efeitos colaterais. Porém, quando ingerida em excesso pode causar o acúmulo de cálcio em vários tecidos e órgãos, principalmente nos rins, que pode chegar a perder sua função em casos mais extremos.

É importante ressaltar que o excesso só causado pelo uso de suplementação já que os alimentos não contam com quantidades grandes da substância e a obtenção dela por meio dos raios solares é regulada pela pele, que cessa a produção da vitamina quando atinge os valores necessários. Daí a necessidade de, no caso de uso da suplementação, acompanhamento médico.

Fontes: draxe.com, NCBI (National Center for Biotechnology Information), neurologista Cícero Galli Coimbra (professor associado e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo),  nutricionista Rúbia Gomes Maciel (Natue), nutricionista Natielen Jacques Schuch (Centro Universitário Franciscano).