Proteína C-reativa um biomarcador para processos inflamatórios

A proteína C-reativa, também conhecida por PCR, é uma proteína produzida pelo fígado, utilizada como um biomarcador para avaliação de processos inflamatórios. Geralmente está aumentada quando existe alguma infecção ou processo inflamatório não visível, como apendicite, aterosclerose ou suspeita de infecções virais e bacterianas, por exemplo. 

Esta proteína é um dos primeiros indicadores a estar alterado no exame de sangue nessas situações. Quando existe algum processo inflamatório ou infeccioso acontecendo no corpo seus níveis são aumentados em nosso organismo. No entanto, a PCR também pode ser usada para avaliar o risco que uma pessoa tem de desenvolver doenças cardiovasculares, já que, quanto mais alta, maior o risco deste tipo de doenças.

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Como é feito o exame

Embora o exame de proteína C-reativa seja simples de ser feito, seus resultados são preciosos. Não é necessário nenhum preparo específico, como jejum por exemplo, para a realização do exame de proteína C-reativa.

Trata-se de um exame de sangue comum feito em laboratório. Para que a PCR possa ser utilizada como marcador de risco cardiovascular, a dosagem deve ser realizada utilizando métodos denominados “ultrassensíveis”.

Os resultados do exame PCR podem ser interpretados de duas formas distintas, conforme a finalidade para a qual foi solicitado: como indicador de risco cardiovascular ou como indicador de processos infecciosos e inflamatórios.

Resultado do exame de proteína C-reativa para risco cardiovascular

– Menor que 0,1 mg/dL: Risco baixo.

– De 0,1 a 0,3 mg/dL: Risco médio.

– Maior que 0,3 mg/dL: Risco alto.

Resultado do exame de proteína C-reativa para infecção ou inflamação

– De 1,0 a 5,0 mg/dL: Infecções virais e processos inflamatórios leves.

– De 5,1 a 20,0 mg/dL: Infecções bacterianas e processos inflamatórios sistêmicos.

– Acima de 20,0 mg/dL: Infecções graves, grandes queimaduras e politraumatismo.

Não existe contraindicação para realização do exame. No entanto, para fins de avaliação do risco cardiovascular, o exame deve ser repetido de três a seis semanas quando for observado valor acima de 0,3 mg/dL, para afastar a existência de processo inflamatório ou infeccioso agudo.

O exame é solicitado principalmente em caso de suspeita de inflamação ou infecção, principalmente para diferenciar infecção viral de bacteriana. Quando o paciente se encontra numa destas situações, não se deve dosar o PCR para fins de avaliação do risco cardiovascular.

Amostras com elevado grau de lipemia (gordura) podem interferir no teste. Nessa situação, há necessidade de repetir o exame, particularmente se a análise for realizada para avaliação do risco cardiovascular.

O que fazer quando a PCR está alta?

Após confirmar os valores altos da PCR, o médico deverá avaliar o resultado dos outros exames solicitados, bem como avaliar o paciente, levando em conta os sintomas apresentados. Assim, a partir do momento em que é identificada a causa, o tratamento pode ser iniciado de forma mais direcionada e específica.

Quando o paciente apresenta somente um mal estar sem que haja qualquer outro sintoma ou fatores de risco específicos, o médico poderá solicitar outros exames, como a dosagem de marcadores tumorais ou tomografia computadorizada, por exemplo, para que seja verificada a chance do aumento da PCR estar relacionada ao câncer.

Quando os valores da PCR estão acima de 200 mg/L e o diagnóstico de infecção é confirmado, normalmente é indicado que a pessoa fique internada para receber antibióticos pela veia. Os valores da PCR começam a subir em seis horas após o início da infecção e tendem a baixar quando se inicia o uso de antibióticos. Se dois dias após o uso de antibióticos os valores da PCR não diminuem, é importante que o médico estabeleça outra estratégia de tratamento.