Projetos distribuem alimento a moradores de rua

Moradores de rua, que já viviam situações lamentáveis, sensíveis à extrema desigualdade social que assola o país, passam por um momento em que sua situação é agravada e escancarada pela pandemia. Mas muitas pessoas vêm se reunindo em projetos que distribuem alimento a esses moradores de rua, que, geralmente desamparados e sofrendo inúmeros preconceitos, são quem mais precisam neste momento de atitudes como essa.

Ainda vale lembrar que, além da população desabrigada, os próprios abrigos e projetos sociais precisaram de mais doações para enfrentar esse momento.

A população em situação de rua, só na cidade de São Paulo, passou de 24 mil pessoas. Os dados do Censo de 2019, certamente defasados em relação ao período de pandemia do coronavírus, representam um aumento de 54% em 4 anos. O estudo aponta que 85% dessa população é formada por homens de, em média, 40 anos. Nesse levantamento mostra ainda que 70% são negros e quase 400 são pessoas transgênero.

Como bem disse a a arquiteta, urbanista e escritora Joice Berth em sua conta no Instagram, “Não é adequado dizer que moram, pois o morar pressupõe moradia, casa. A rua não é casa, e se alguém vive na rua não é morador é alguém que está confinado em uma situação social”.

Joice desenvolve brilhantemente seu argumento ainda falando sobre o conjunto de fatores que levam pessoas às ruas, “tais como a crise econômica, desemprego, renda, conflitos familiares, falta de moradia, despejos e reintegração de ‘posse’, falta de assistência à saúde mental, migração, saída do sistema penitenciário sem trabalho de reinserção social, dependência química e lgbtfobia”.

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Ainda com essa visão deturpada de Bia, com vista para o Jardim Europa, a realidade é que muitas pessoas estão passando fome e necessidades variadas nas ruas – principalmente em grandes centros urbanos. Com o agravamento do número de casos de pessoas infectadas com a Covid-19, o comércio fechado, poucas vagas em abrigos e muitas pessoas em isolamento social, as pessoas em situação de rua ficaram largadas à própria sorte. Porém, embora não suficientes, existem alguns projetos que fazem a diferença, principalmente neste ano, e que valem serem conhecidos e apoiados:

Lute como quem cuida

O Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) e o Movimento Sem Terra (MST) se unem para a produção de quentinhas saudáveis e saborosas oferecidas à população em situação de rua e vulnerabilidade. Uma entidade do campo e outra da cidade, ambas agentes sociais que em comum sustentam a produção da vida. Em meio à crise sanitária, social e econômica, a solidariedade é um ato de resistência. Para alimentar uma pessoa, o principal gesto possível é “oferecer uma quentinha para o outro”. O trabalho é feito em cozinhas solidárias, como a da Ocupação 9 de Julho, em São Paulo.

O valor de custo de cada quentinha é R$ 10 e é possível doar uma ou quantas puder através do site oficial. Doando mais quentinhas, nos valores de R$70, R$80, R$110, R$170, R$180 ou R$200 você recebe uma lembrança da Cozinha da Ocupação 9 de Julho do MSTC ou do MST/SP Armazém do Campo como gesto de gratidão à sua generosidade. São panos de prato, copos, bonés, camisetas e aventais. Sendo um super apoiador, doando R$1.000 ou R$3.000, o grande obrigadx vai em forma de gravuras em serigrafias das lindas imagens da campanha.

Site: https://benfeitoria.com/lutecomoquemcuida

Instagram: @lutecomoquemcuida

O amor agradece

Na primeira semana da quarentena, eram 9 mulheres. Cada uma contribuindo de uma maneira diferente, e cada uma em sua casa, entregaram 84 marmitas. Dez semanas se passaram e os braços se ampliam cada dia mais. Semanalmente são entregues mais de 2000 quentinhas pela cidade de São Paulo, e não conseguem nem bem contabilizar a quantidade de pessoas envolvidas, entre quem doa alimento, dinheiro, tempo e dedicação. São muitas, e esse número só cresce.

A força da bondade abre caminhos e faz, “de repente”, surgirem pessoas dispostas, recursos e meios. Nesse movimento, há uma estrutura autônoma e vertical que vai operando através da inteligência do coletivo e carrega o segredo da nossa transformação. Essa força é viva, possível e transformadora. Pra sentir esse fluxo de amor, há algumas maneiras de apoio, entre em contato no nosso perfil.

Instagram: @oamoragradece

Sopão das manas

Um grupo de mulheres, cozinheiras, artistas, produtoras e ativistas, corações enormes, solidários e angustiados. Muita gente passando fome! O projeto começou com a ideia de distribuir sopa uma vez na semana, com a meta de 300. A palavra sopa tem a sua origem semântica no sânscrito sû (significa: bem) e em pô (significa: alimentar), ou seja, sopa significa “bem alimentar”. O consumo de sopa remonta à pré-história, existem registros que consideram a sopa como o prato mais antigo do mundo. A sopa é um alimento intemporal, atravessou séculos e civilizações, mantendo-se nos nossos dias com uma enorme importância social e nutricional.

Num momento onde nada mais faz sentido a não ser a ajuda ao próximo, o grupo resolveu se unir para tentar dar um pouco de conforto através de pães e sopas calorosas e nutritivas. É possível colaborar com o sopão comprando uma rifa ou doando.

Instagram: @sopaodasmanas

Brasil andar com fé

A campanha une artistas com intuito de gerar doações para ONGs de todo o país. O site compila organizações de nove regiões para que as doações sejam feitas diretamente. Para espalhar essa ideia, Gilberto Gil cedeu a música “Andar Com Fé” e vários artistas farão interpretações da faixa. O primeiro vídeo teve a participação de Rappin’ Hood, Fernanda Abreu e Rashid e, gradativamente, vídeos com outros artistas serão publicados, entre eles Carlinhos Brown, Elba Ramalho, Margareth Menezes e Toni Garrido.

Esta relação foi elaborada por Brasil Andar Com Fé com participação dos artistas e com base em projetos divulgados nos principais veículos de comunicação do país e têm seu trabalho reconhecido pelas comunidades nas quais atuam.

Site: https://www.brasilandarcomfe.com.br/

Família solidária 2020

Tudo começou através de Cida, uma nordestina porreta. A nordestina tem fama de ser guerreira e de lutar até o fim. Ela não é do tipo que desiste fácil e nem que se contenta com pouco. Se uma nordestina tem um sonho, ela logo se joga no mundo para realizá-lo. Ela é aquela que sabe bem o que deseja e faz de tudo para conseguir. A força dessa nordestina é algo de outro planeta. Ela é aquela que passa por muitos desafios, mas sempre consegue se restabelecer com um sorriso no rosto e com um coração puro.

Cida, Cidinha, Cidoca, a Margarida! Uma esposa maravilhosa, mãe de três filhas e vovó da Ana Clara, nascida no interior de Recife-PE, filha do Seu Joaquim Otávio e da Dona Virgínia, irmã de exatos 11 outros nordestinos arretados. Veio para São Paulo cedo tentar uma vida melhor, desde então, sempre trabalhando.

Atualmente como diarista encontrou em seu caminho um anjo chamado @gabibrites e a junção dessas duas mulheres fortes resultou nesse projeto. Sem elas nada disso seria possível. Só que a caminhada seria pesada então se juntaram ao projeto outros 11 nordestinos arretados juntos com suas esposas e maridos, filhos e netos para leva-lo adiante.

Instagram: @familia.solidaria2020

COmVIDa-20

Do coração de uma menina de 11 anos surgiu uma iniciativa que está mobilizando cidadãos, personalidades, marcas e ONGs para garantir o básico a quem mais precisa de ajuda nesse momento de enfrentamento da pandemia de coronavírus: alimentos.

Manu criou um desenho, batizado de “vírus gente boa”, que nasceu sendo vetor de propagação de solidariedade através da campanha COmVIDa-20, uma iniciativa humanitária construída por pessoas em prol de um bem coletivo. Lançada em 25 de abril, a campanha, em dez dias, alcançou a marca de quatro toneladas de alimentos arrecadados, que foram transformados em cestas básicas doadas para o Instituto da Criança.

As pessoas compram um kit formado por uma camisa e uma máscara, por R$60 (o lucro equivale a meia cesta básica), e escolhem um amigo para receber o kit de presente. O amigo que o recebe é convidado a comprar para um outro amigo querido e estimulado a dar sequência a essa corrente, garantindo a outra metade de uma cesta básica. Assim, vai se espalhando o vírus do bem.

Site: https://camisadimona.com.br/comvida20

Instagram: @com_vida_20

Nós e as escolas

Muitos estudantes dependem da escola para se alimentar. Mas, se as medidas de isolamento social implicam na impossibilidade de ir à escola, como estão se alimentando?

O Atados está tocando a campanha de arrecadação, junto com o @spcontraocoronavirus, para comprar cestas básicas para mais de 2889 famílias de estudantes da rede pública de São Paulo.⁠ O projeto tem o intuito de conectar voluntários, doadores e Escolas Públicas para que juntos possamos chegar nesses estudantes e famílias e garantir que tenham o básico para enfrentar essa crise. A cada R$55 uma cesta básica é entregue na porta de um aluno da rede pública.

São + de 15 escolas e + de 2.000 famílias de estudantes inscritas. As escolas ajudadas são E.E. Professor Paulo Rossi, E.E. Leda Guimarães Natal, E.E. Fernão Dias, CEI Jardim Macedônia, EMEI Roberto Burle Marx, EMEF Professor Enzo Antonio, E.E Dr. Kyrillos, EMEI Dona Leopoldina, EMEF Lilian Maso, EMEF General Henrique Geisel, EMEI Vicente Paulo da Silva, EMEF CÉU Perus, CIEJA Perus e E.E Professora Dulce Ferreira Boarin.

Site: https://www.atados.com.br/

Instagram: @atados

Projeto Semear

O Projeto Semear atende semanalmente 180 famílias, que graças ao carinho e solidariedade de tantas pessoas, tem acesso a uma alimentação saudável gratuitamente. Além de Hortifruti e cestas básicas, itens de limpeza e higiene são doados para famílias em isolamento domiciliar devido ao COVID-19, em situação de vulnerabilidade social.

Instagram: @geparsocial

Teto Brasil

Basta ter participado de uma atividade da TETO Brasil para ter certeza: a quarentena, para muitos, é um privilégio. Para se ter ideia, segundo o último levantamento do IBGE cerca de 26,6 milhões de brasileiros vivem em moradias construídas com materiais não duráveis, com pouco espaço e/ou sem banheiro. Como ficar em casa nessas condições? O que podemos fazer para apoiar aqueles que vivem em uma situação tão vulnerável durante uma pandemia?

Os integrantes da TETO decidiram sair da “zona de conforto”, atualizar as definições de urgência e seguir apoiando as favelas mais precárias e invisíveis do país com o que podemos agora: alimento, água e itens de higiene. Tudo para construir uma quarentena mais justa para todos e todas. Visando a prevenção e o bem-estar dos habitantes das comunidades, dos voluntários e voluntárias e de todos os outros setores da sociedade com os quais interagem, a TETO suspendeu as atividades massivas da organização no dia 16 de março. Mas seria impossível ficar de braços cruzados.

Com o montante arrecado eles passaram a comprar cestas básicas, galões de água e preparar um kit de higiene, com água sanitária e detergente para distribuir, com a ajuda de lideranças comunitárias, às famílias que vivem nas comunidades que já trabalham e que seguem acompanhando.

Site: https://www.techo.org/brasil/

Instagram: @teto.br

Fonte: Hypeness