Probióticos o que são e seus benefícios

Em suma probióticos são alimentos (ou produtos) que contêm micro-organismos vivos que proporcionam benefícios para a saúde, atuando na sintetização de vitaminas e proteção do organismo. O conceito de probiótico foi introduzido no início do século XX, quando o prêmio Nobel Elie Metchnikoff, conhecido como o ‘pai dos probióticos‘, propôs que o consumo de micro-organismos benéficos poderia melhorar a saúde das pessoas. Os pesquisadores continuaram a investigar essa ideia e o termo ‘probióticos’, que significa ‘pró vida’, entrou em vigor. 

“O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os micróbios benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de ‘boa índole’.

São exemplos de alimentos probióticos os fermentados como os iogurtes, leites fermentados, queijos, entre outros. Mas os probióticos também podem ser encontrados em cápsulas ou em sachês através de fórmulas manipuladas.

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Quais tipos de micro-organismos estão nos probióticos?

Os probióticos podem conter uma variedade de micro-organismos. Os mais comuns são as bactérias que pertencem aos grupos chamados Lactobacillus e Bifidobacterium. Cada um desses dois grandes grupos inclui muitos tipos de bactérias. Outras bactérias probióticas são leveduras como Saccharomyces boulardii.

Os benefícios dos probióticos

Baixa imunidade – Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. A chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os micro-organismos são mesmo aliados. Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças.

Há outras ações que contribuem para a ‘blindagem’ contra agentes infecciosos. As células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo.

Problemas intestinais – Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação.

Há bactérias, como a Bifidobacterium Animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia, os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto.

Obesidade – Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia Muciniphila, a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal.

Doenças bucais – Pode-se contar com duas formas de atuação: uma é indireta, quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências; outra direta, a cavidade oral tem sua própria microbiota, os probióticos causam um impacto direto (e local) em problemas como cárie e periodontite.

Colesterol e pressão – Algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium são capazes de assimilar o colesterol no intestino. Isso reduz os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo.

Testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. Mas se pode sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos.

Chateações íntimas – Candidíase e vaginose, que tendem a ser recorrentes, respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva, e os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes. Um jeito de driblar essa resistência é com o uso de probióticos, ao ingeri-los, por meio de suplementos, é possível mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina, impedindo a proliferação dos micro-organismos prejudiciais.

Irritações de pele – Ter um intestino regulado também favorece, e muito, a saúde da pele, as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas, com isso, há menos espaço para rugas, pele seca, etc. Ainda existem cepas, disponíveis em sachês, que combatem a dermatite atópica. Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele, como a acne.

Câncer – Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais, pelo fato de diminuir o risco de inflamações nesta área. Também se vê a indicação das bactérias boas durante e após o tratamento do tumor, pela diminuição das complicações infecciosas. Esta medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

Estresse e ansiedade – Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro, por isso há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba, que são neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade.

Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo, há um universo ilimitado de possibilidades.

Quando as bactérias aparecem?

Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota, mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso muitas mães optam pelo o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

O aleitamento materno é outro fator importante, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

Vale a pena investir em versões manipuladas?

A junção de bactérias requer bastante cautela, não é porque são benéficas individualmente que serão excelentes em parceria. Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é um risco. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, para você usa-los tem que haver o aval de um profissional médico, que deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

Curiosidade

Existem estudos para inserir probióticos em outros tipos de alimentos, isso deve acontecer em um futuro próximo, são eles: sorvetes, chocolates e sucos (a acidez dos sucos torna um grande desafio, porém existe uma forte possibilidade que isto aconteça).

Fonte: Revista Saúde e e-Cycle