Pinhão a semente da araucária árvore tipicamente brasileira

Presença confirmada nas festas juninas, o pinhão é a semente da araucária (Araucaria angustifolia), árvore tipicamente brasileira, de destacada importância cultural, econômica e ambiental no sul e em algumas partes do sudeste do país. No passado, essa saborosa semente, já fazia parte da alimentação dos indígenas. Hoje, o pinhão tem presença marcante na culinária da região Sul do Brasil. É impossível visitar a região no outono ou inverno, sem cair na tentação de provar, não somente a semente em si, como diversos pratos feitos à base de pinhão.

Sempre associado ao frio e aconchego, seja cozido ou frito, a semente das araucárias é uma boa opção para lanches intermediários e até para consumo antes da prática de atividades físicas. Pode ser consumido sem acompanhamento, ou usado em saladas, farofas, bolos, tortas, cozidos e ensopados.

Altamente nutritivo, o pinhão cozido (sem sal) possui 174Kcal a cada 100 gramas, é um alimento rico em fibras alimentares, carboidratos complexos, proteína (2,98 gramas a cada 100 gramas do alimento). Abundante em minerais importantes, como sódio, cálcio, magnésio, fósforo, potássio, zinco, cobre, manganês e ferro, além de vitaminas A, C, E, vitaminas do complexo B e antioxidantes. Ainda, é fonte de ácidos graxos essenciais para a saúde, como ômega-6 e ômega-9.

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Os resultados de pesquisas da Embrapa Florestas indicam que há diferenças na composição do pinhão cru e do pinhão cozido em água. Isso devido, principalmente, ao aumento na umidade após o cozimento. Uma alteração, que ocorre nesse processo, diz respeito aos minerais. Observa-se que alguns se concentram enquanto outros são perdidos na água de cozimento.

Benefícios do pinhão

– Protege o sistema cardiovascular: O pinhão é fonte de potássio, nutriente que está associado a níveis reduzidos de pressão arterial. Isso porque ele diminui os efeitos do sódio e alivia a tensão das paredes dos vasos sanguíneos, o que contribui para controlar a hipertensão. Em 100 gramas de pinhão há 727 mg de potássio.

Além disso, possui ômega 6 e 9, que reduzem o colesterol considerado “ruim” do organismo. Ambas as condições de saúde são fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

– Ajuda no processo de emagrecimento: Esse benefício ocorre por causa das fibras alimentares, que ao serem ingeridas formam um tipo de gel no estômago e atrasa o esvaziamento do órgão. Além de promover uma absorção mais gradativa dos nutrientes, o que prolonga a sensação de saciedade. O pinhão possui também o ácido pinoleico, que atua na supressão da fome.

Mas fique atento pois o consumo em excesso provoca ganho de peso, já que a semente possui uma alta quantidade de calorias.

– Beneficia portadores de diabetes: Por possuir amido resistente, juntamente às fibras alimentares, já descritas acima, o pinhão apresenta um baixo índice glicêmico, ou seja, não eleva a glicemia rapidamente. É uma opção saudável para quem tem diabetes porque contém fibras, gorduras boas e aminoácidos que contribuem para evitar os picos glicêmicos no sangue.

– Auxilia na saúde do cérebro: O pinhão é fonte de vitaminas do complexo B, o que contribui para o bom funcionamento cerebral. Por isso, o consumo regular auxilia no raciocínio e na memória. Possui também potássio e fósforo, minerais importantes para o cérebro.

– Regula o intestino: Mais uma vez as fibras alimentares são responsáveis por esse benefício e ajudam a prevenir problemas intestinais como a prisão de ventre. Isso porque a ingestão diária de fibras melhora o funcionamento do intestino ao reter uma quantidade maior de água. Como resultado, o organismo passa a produzir fezes mais macias e com mais volume, o que facilita a eliminação.

– Faz bem a visão: O pinhão faz bem para os olhos, pois contém luteína, um antioxidante importante que evitar a degeneração macular pela idade e diminui os riscos de catarata. E por ter diversas propriedades antioxidantes em sua composição ajuda a eliminar os radicais livres do organismo que causam doenças como câncer e previne também o envelhecimento precoce.

– Evita e combate a anemia: O pinhão possui ferro e cobre em sua composição nutricional. O ferro é um mineral importante na prevenção de anemia; já o cobre ajuda na sua absorção. Por isso, essa semente pode ser uma excelente opção de lanche para pessoas com anemia por deficiência de ferro, ou como é conhecida, anemia ferropriva.

– Aumenta a imunidade: O consumo da semente fortalece o organismo contra doenças como gripes e resfriados. Isso porque ele conta com a presença da vitamina C, que é um antioxidante importante para aumentar a imunidade.

Riscos de consumo e efeitos colaterais

Não é recomendado o consumo dessa semente crua, pois pode ser tóxica para o organismo. O ideal é cozinhar de 30 a 40 minutos em uma panela de pressão com um pouco de água e sal e depois de esfriar retirar a casca para consumir.

Pessoas que precisam moderar o consumo de carboidratos devem estar atentas, pois o pinhão é rico nesse nutriente. É importante também evitar consumir na mesma refeição com outros tipos de carboidratos como macarrão ou pão, principalmente à noite. Para se ter uma ideia, em 100 gramas de pinhão há cerca de 43 gramas de carboidratos.

Para quem possui uma doença renal crônica e estiver com potássio alto no sangue é importante consumir com moderação e buscar uma orientação médica e nutricional sobre a quantidade adequada de pinhão a ser consumida.