PANCs – plantas alimentícias não convencionais

Muitas plantas são consideradas sem uso pela população, apenas identificadas como mato, praga ou erva daninha. Entretanto, várias espécies podem sim, servir de alimento e, inclusive, muitas apresentam grande valor nutricional. Esses vegetais pouco utilizados são chamados de PANCs, uma sigla para “plantas alimentícias não convencionais”, esse termo foi criado em 2008 pelo biólogo Valdely Ferreira Kinupp.

Quando falamos em PANCs, referimo-nos às plantas ou a partes de plantas que podem ser utilizadas na alimentação, mas que não são usadas no dia a dia das pessoas em geral. Esses vegetais, porém, não constituem um grupo homogêneo, como uma família de plantas, e podem incluir, por exemplo, tanto as nativas quanto as exóticas, ou ainda plantas de produção espontânea e as cultivadas.

Vale destacar que as PANCs podem ser consumidas rotineiramente em algumas regiões, por isso não são consideradas nesses locais como não convencionais. Portanto, podemos dizer que, para ser uma PANC, o contexto em que essa planta está inserida deve ser analisado.

É muito comum as pessoas associarem as PANCs àquelas plantas que nascem sozinhas, de maneira espontânea. Entretanto, como dito antes, nem todas as PANCs seguem essa característica, e algumas espécies são cultivadas. É por isso que é preciso estar atento e utilizar apenas plantas que apresentam seus componentes conhecidos a fim de evitar qualquer tipo de intoxicação.

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O crescente consumo das PANCs

Nos últimos anos as PANCs vêm despertando cada vez mais interesse das pessoas, tanto de quem é da área de biologia e nutrição, como quem trabalha em cozinha, os grupos de vegetarianos e veganos, ou simplesmente quem gosta de cozinhar em casa. Para se ter uma ideia, a rúcula, que consumimos hoje, era considerada erva daninha há pouco tempo.

Algumas como a araruta e a urtiga já foram muito consumidas no passado, mas acabaram caindo em desuso e, agora, estão voltando a serem conhecidas e consumidas. Isso aconteceu porque ficaram conhecidas por nomes pejorativos, como se fosse algo consumido na época da escravidão porque as pessoas estavam morrendo de fome. Mas são ótimas opções e muito nutritivas, além de democratizarem a alimentação, já que são acessíveis a todos e fáceis de serem encontradas.

Um bom exemplo desse fato é a ora-pró-nóbis (Pereskia aculeata), muito conhecida em consumida no estado de Minas Gerais, onde também é chamada de ‘bife de pobre’, devido a alta concentração de proteínas de que a planta possui.

Como consumir as PANCs

Assim como todos vegetais que conhecemos, cada PANC apresenta uma forma diferente de preparo. Muitas destas plantas podem ser consumidas ‘in natura’, utilizadas no preparo de saladas e sucos. Outras podem ser ingeridas cozidas, refogadas, e algumas até fritas, mas fique atento, pois, existem algumas que obrigatoriamente devem passar por cozimento.

A obrigatoriedade de cozimento deve-se ao fato de muitas plantas deverem passar por esse processo para eliminar substâncias que podem causar problemas à saúde. Outras, porém, são cozidas apenas para tornarem-se mais macias. Assim sendo, antes de preparar uma PANC, procure conhecer mais sobre ela.

Exemplos de PANCS

– Azedinha (Rumex acetosella): Suas folhas apresentam sabor ácido e podem ser usadas em saladas e sucos.

– Beldroegão (Talinum paniculatum): Pode-se utilizar suas folhas ‘in natura’ ou refogadas. Suas sementes também são comestíveis.

– Capuchinha (Tropaeolum majus): Podem ser consumidas as folhas, flores e sementes dessa planta. Ela possui sabor picante e costuma ser preparada em molhos, patês, pães e saladas, por exemplo.

– Capiçoba (Erechtites valerianifolius): Pode ser usada crua, em saladas, e refogada ou ainda como tempero. Possui sabor picante.

– Caruru (Amaranthus spp.): Apresenta sabor semelhante ao espinafre e, para seu consumo, deve ser branqueada. É usada no acompanhamento de carnes ou preparada com o feijão.

– Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata, Pereskia bleo e Pereskia grandifolia): Destaca-se por ser rica em proteínas e fibras. Utilizada em recheios e como corante. Folhas e frutos são comestíveis.

– Taioba (Xanthosoma taioba): As folhas, os talos e batata podem ser consumidas, entretanto devem ser branqueadas ou cozidas. Esse vegetal é um exemplo das PANCs que não devem ser comidas cruas.

Não consuma plantas que você não tem conhecimento a respeito da origem ou identificação, pois muitas podem ser tóxicas.

Fonte: Brasil Escola