Os antioxidantes e as doenças neurodegenerativas

As doenças degenerativas caracterizam-se por ser um grupo de doenças que leva a uma lesão tecidual gradual, irreversível e evolutiva, desencadeando limitações sobre as funções vitais. Entre elas, destacam-se as neurodegenerativas, nas quais ocorre destruição maciça de neurônios, de forma progressiva e irrecuperável, resultando em atrofia focal das regiões afetadas do cérebro, levando a problemas com o movimento, as ataxias, e funcionamento do sistema nervoso central, originando a demência.

As doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, são mais comuns em adultos e idosos do que em jovens. Em 2010, em âmbito global, aproximadamente 35,6 milhões de pessoas possuíam demência, com estimativa de 65,7 e 115,4 milhões para 2030 e 2050, respectivamente.

Estudos apontam que o desequilíbrio da homeostase, ocasionando aumento da peroxidação lipídica, está estreitamente ligado às desordens neurodegenerativas, sendo a oxidação celular o primeiro processo que às antecede. E, uma vez que a ação dos radicais livres no desenvolvimento dessas doenças tem sido muito bem descrita, pesquisas têm focado sua atenção na atenuação desse estresse por meio do consumo de antioxidantes e ácidos graxos poli-insaturados. 

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O papel dos antioxidantes

O papel dos antioxidantes é proteger as células sadias do organismo contra a ação oxidante dos radicais livres. Os radicais livres (agentes oxidantes) são moléculas que, por não possuírem um número par de elétrons na última camada eletrônica, são altamente instáveis. Estão sempre buscando atingir a estabilidade travando reações químicas de transferência de elétrons (oxi-redução) com células vizinhas. Apesar de fundamentais para a saúde, quando em excesso, os radicais livres passam a oxidar células saudáveis, como proteínas, lipídios e DNA.

O ataque constante leva à peroxidação lipídica (destruição dos ácidos graxos poli-insaturados que compõem as membranas celulares). A intensificação no processo de peroxidação lipídica, por sua vez, está associada ao desenvolvimento de doenças crônicas, como a aterosclerose, a obesidade, o diabetes, a hipertensão, e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkison, e até alguns tipos de câncer.

Uma dieta rica no consumo de antioxidantes colabora para a redução da situação de estresse oxidativo.

Sistemas de defesa antioxidante

O corpo humano possui dois sistemas de autodefesa antioxidantes: o sistema enzimático (endógeno) e o não-enzimático (exógeno).

Sistema enzimático (endógeno) – O sistema enzimático é formado por um conjunto de enzimas produzidas naturalmente pelo organismo. Contudo, a eficiência deste sistema de produção tende a diminuir com o passar dos anos. Portanto, é importante manter a qualidade do segundo sistema de defesa, o não-enzimático, por meio da ingestão de alimentos ricos em antioxidantes.

Sistema não-enzimático (exógeno) – Composto por grupos de substâncias como vitaminas, substâncias vegetais e sais minerais que podem ser ingeridos por meio da dieta alimentar.

A alimentação compondo o sistema não-enzimático

No organismo, a vitamina C atua como cofator de enzimas, antioxidante, participa no metabolismo iônico de minerais e na elaboração de neurotransmissores. Já o tocoferol (vitamina E), principal antioxidante da membrana celular, impede a propagação da peroxidação lipídica. Os antioxidantes trabalham em sinergia, em que ocorre uma cooperação entre as vitaminas C e E. A vitamina E, ao prevenir a peroxidação lipídica, forma o composto tocoferoxil e, para ser regenerada, necessita dos elétrons doados pela vitamina C. 

O selênio, também, desempenha importante papel antioxidante, esse mineral é essencial na síntese da enzima glutationa peroxidase, além de potencializar a atividade antioxidante da vitamina E. Entre os ácidos graxos poli-insaturados, o ácido linolênico (ômega-3) vem sendo estudado por seus efeitos benéficos no sistema cerebral, entre os mais citados estão a participação na estrutura e nas funções da membrana celular, seu papel no estresse oxidativo, controle estrutural e funcional do tecido nervoso e ação anti-inflamatória. 

Um estudo na França, com 4 anos de seguimento com 8.085 idosos saudáveis (≥ 65 anos) concluiu que o consumo diário de frutas e legumes foi associado a uma diminuição considerável do risco de demência. Já o consumo semanal de peixe (fonte de ômega-3) também foi associado com um risco reduzido de Alzheimer e a outras demências. 

Contudo, ainda não há consenso claro que especifique a quantidade a ser consumida de antioxidantes, todavia é necessário que, ao longo da vida, sejam adotados hábitos saudáveis que incluam, além de uma alimentação equilibrada, a prática de exercícios físicos.