O perigoso efeito sanfona

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,6 bilhão pessoas estão obesas. Boa parte delas também é vítima de um malefício que as dietas causam o perigoso fenômeno chamado “efeito sanfona”, onde a pessoa engorda e emagrece ciclicamente. Isso acontece com bastante frequência quando para emagrecer escolhemos estratégias que não funcionam a longo prazo, e isso é mais prejudicial à saúde do que estar sempre um pouco acima do peso.

Dietas radicais prometem mudanças de manequim em tempo recorde, porém lembre-se, por maior que for o seu desejo por um ‘corpo perfeito’, mágicas não existem! Sempre que você emagrece a jato, corre o risco de recuperar o peso perdido na balança pouco tempo depois deles terem sido eliminados e, assim, entrar nesse temido círculo vicioso.

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As causas prováveis

A primeira e mais simples explicação é que a pessoa fica desgastada com a mudança brusca, a penosa rotina e duras restrições alimentares e, quando finaliza a dieta, se ilude achando que seu ‘tão sonhado’ objetivo já está conquistado. Pronto! Ai larga tudo, chuta o balde e volta a comer o que lhe foi tirado durante o ‘enorme tempo’ que ficou em dieta.

Entenda que em um ou dois meses o corpo nem se acostumou a um novo padrão alimentar, pelo contrário, ele ainda está ‘lutando’ contra as mudanças que estão acontecendo. As dietas são normalmente restritivas, em que a pessoa fica se esquivando do que não deve comer, sobrevivendo às tentações e rezando para chegar ao final. Dieta boa não tem final, nem meio, tem apenas o começo, e devemos levar pra vida toda.

Por isso, é importante que ela seja balanceada, que se consiga emagrecer com calma, sem grandes privações, que se reaprenda a comer com qualidade e inteligência, sem se privar dos prazeres da alimentação. Ou seja, melhor que apenas uma dieta, o ideal é uma reeducação alimentar, e o acompanhamento médico é imprescindível.

Outra explicação para o ganho de peso pós-dieta é o fato de se jogar o metabolismo para baixo com o corte excessivo de calorias ingeridas. Se a pessoa costumava comer em torno de 1.500 calorias por dia, e ao iniciar uma dieta hipocalórica, passa a comer a metade de calorias, por exemplo, o corpo sente que está vivendo um momento de privação e passa a ‘trabalhar’ no modo econômico (como seu celular faz ao enviar a mensagem: bateria fraca, modo econômico).

Quando a dieta termina, volta a ingerir as 1.500 calorias novamente, porém o metabolismo ainda está em modo econômico, leva tempo para o corpo se readaptar, com isso o ganho de peso vem ainda mais rápido. Sem contar que acaba ocorrendo uma compulsão por comer aquilo que tanto se privou, e a pessoa acaba escolhendo os alimentos mais calóricas e gordurosos, que tanto sonhou durante a dieta.

Vale lembrar que, na maioria das dietas, a perda de líquidos e massa magra que contam na balança não correspondem a uma perda de gordura de fato. Perder peso não significa necessariamente emagrecer, se realmente quer saber se emagreceu é muito mais indicado usar a fita métrica a balança.

O mal que o efeito sanfona traz à saúde

– Problemas cardiovasculares e morte prematura: Além do enfraquecimento do sistema imunológico, doenças coronarianas, hipertensão e colesterol elevado podem aparecer. A flutuação constante de um quilo na balança já é suficiente para aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

– Desenvolvimento de diabetes: Uma pesquisa publicada no periódico americano New England Journal of Medicine comprovou que existe uma relação direta entre a oscilação recorrente de peso e o desenvolvimento de diabetes.

– Desordem hormonal: O efeito sanfona faz literalmente uma bagunça hormonal em nosso corpo e pode trazer alguns malefícios à saúde tais como aumento do cortisol, do colesterol ruim, o LDL, perda de massa magra, carência de vitaminas e minerais e, claro, esse ‘engorda-emagrece’ altera o metabolismo e fica cada vez mais difícil chegar ao peso ideal.