O impacto na alimentação durante a pandemia

A casa tornou-se o centro da vida das pessoas com as medidas de isolamento social, e a cozinha ganhou um papel de destaque em grande parte dos lares, causando o grande impacto na alimentação do dia a dia durante a pandemia do Novo Corona Vírus. Com restaurantes, bares, cafeterias e outros estabelecimentos fechados pela quarentena por longos períodos, não restou alternativa senão a de colocar a mão na massa, e, em muitos casos, reaprender o gosto pela gastronomia. 

Segundo a Qualibest, instituto de pesquisa de mercado, na primeira rodada de pesquisas para entender o impacto da pandemia no comportamento do consumidor de forma geral, 95% dos brasileiros entrevistados estavam ficando em casa por medo de se contaminar. E destes, 93% estavam cozinhando em casa.

Os serviços de delivery de alimentos prontos também passaram a ser uma alternativa principalmente para as pessoas que não gostam de cozinhar e também para mães e pais que precisam conciliar o home office, os cuidados com a casa e com os filhos full time, porque as escolas e creches estão fechadas. Relatório da Kantar, consultoria especializada de inteligência de mercado, constatou que no período de isolamento social, os brasileiros fizeram com que o delivery de alimentos saltasse de 19% para 34%. 

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A nova rotina de distanciamento social refletiu imediatamente na frequência de ida aos supermercados e nos carrinhos de compras dos brasileiros. Os carrinhos estão mais cheios e as idas aos mercados, mais espaçadas, aponta pesquisa da Nielsen Brasil, instituto de inteligência de mercado. A frequência de compras caiu 6,5%, enquanto o número de itens no carrinho subiu 22%.

A redução na renda provocada pelo aumento dos níveis de desemprego, as previsões econômicas e de negócios em queda e o receio de um futuro incerto também têm impactado diretamente nos gastos mensais com alimentação.

Novos hábitos de compra

Com o confinamento, a casa passou a ser o palco principal para viver, comer e se divertir. E os alimentos, é claro, ocupam um papel de protagonistas neste cenário. Houve um aumento de 27% nas ocasiões de consumo de alimentos e bebidas dentro dos lares (crescimento de 25% no café da manhã; 30% no almoço e jantar; 21% em lanches rápidos).

Os dados de diversas pesquisas apontam uma procura maior por produtos básicos para cozinhar em casa, como massas, arroz, feijão, farinha, óleo e produtos frescos. Além de alimentos práticos para o dia a dia como biscoitos e snacks de frutas, por exemplo, que gerou um aumento de 11% na categoria industrializados. 

Outra tendência que ganhou força é o comércio eletrônico. Os brasileiros aumentaram suas compras online, estão usando mais os meios digitais de pagamentos e devem continuar com esses hábitos de compra e consumo no pós-pandemia. Segundo estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), 61% dos clientes que compraram online durante a quarentena aumentaram o volume de compras devido ao isolamento social. E o destaque foi para compras de alimentos e bebidas para consumo imediato que cresceram 79%. 

Espaço cativo para indulgências

Embora os consumidores estejam mais cautelosos com os gastos e procurem por itens mais baratos, eles não deixaram de “presentear-se” com produtos indulgentes. Cresceram as vendas de produtos como chocolates, salgadinhos e snacks. 

Em pesquisa realizada pela Mintel, instituto de inteligência de mercado, 18% dos consumidores brasileiros disseram que estão comendo alimentos e bebidas mais indulgentes, como sorvete, chocolate e pizza, para ajudá-los a lidar com a ansiedade. Entre os consumidores que têm usado este serviço, o item mais pedido é a pizza, seguida por outros alimentos como doces, sorvetes.

O simples prazer é a razão para compras mais buscada no confinamento após estes meses de isolamento social. Se no início da pandemia, o objetivo dos consumidores foi grande estocagem de alimentos e produtos de limpeza e higiene, a partir do final do mês de abril, as opções indulgentes ganharam mais espaço dentro das casas, com destaque para guloseimas, snacks e bebidas. O consumo de ingredientes para doces, confeitos, guloseimas, vinhos e de cerveja cresceu, segundo o relatório.

Momentos gourmet

Em meio às restrições da quarentena e da crise econômica, os brasileiros não abriram mão de seus “momentos gourmet”, mas isto hoje acontece dentro de casa.

Marcas atentas a este movimento estão aproveitando a oportunidade de ajudar os brasileiros a se sentir confiantes em preparar refeições com itens básicos, através de diversas ações de interação virtual. Um exemplo é o da marca Sadia, que utiliza suas redes sociais para auxiliar os consumidores a preparar alimentos.

Outra oportunidade de engajamento das marcas é de contarem com a parceria com chefs de cozinha, por exemplo, para ensinar refeições simples e saborosas em transmissões ao vivo, ou até mesmo dar dicas de culinária em redes como o Twitter, Facebook e Instagram.

Refeições virtuais para aproximar

o distanciamento social impactou a cultura de compartilhamento de refeições e lanches da América Latina, mas os alimentos reconfortantes podem trazer boas lembranças e animar o ânimo. Em paralelo, conexões on-line têm ajudando a aumentar o bem-estar físico e emocional dos consumidores, à medida que as pessoas encontram maneiras de cozinhar e comer juntas e se sentem próximas, apesar da distância física.

Um exemplo é o da rede Chipotle Mexican Grill, que lançou uma série de almoços virtuais durante a pandemia da Covid-19.

Alimentos para aumentar imunidade

A pandemia da Covid-19 reforçou outra questão que já era importante antes para os consumidores: a preocupação em ter um sistema imunológico saudável. Um indicativo de potencial para as indústrias investirem em alimentos e bebidas que aumentam a imunidade. Os novos hábitos e estilos de vida que estão norteando o comportamento dos consumidores com a pandemia sinalizam a possibilidade de se tornarem permanentes. 

Ainda é cedo para entender as tendências que foram aceleradas e os hábitos adotados durante este período de restrições que vão permanecer quando as rotinas forem retomadas.

Este é um dos desafios que a indústria de alimentos como um todo está enfrentando, mas a observação atenta das marcas aos comportamentos atuais pode trilhar novas oportunidades de negócios para atender as necessidades do consumidor.