Mês de junho chega e a grande estrela é o milho

Mês de junho chega e, mesmo em tempos de quarentena, inevitavelmente, sem as tradicionais festas juninas de adoração a Santo Antônio, São João e São Pedro, nos remete as comidas típicas desta época do ano e a grande estrela é o milho, cultivado em grande parte do mundo. Esse cereal maravilhoso e extremamente versátil, tão saboroso quanto nutritivo, é muito presente na culinária brasileira, e serve de base para inúmeras receitas, desde bolos, curau, polenta, pamonha, cuscuz, broa, canjica, pipoca e até suco.

Tem um alto potencial produtivo e é bastante responsivo à tecnologia. O seu cultivo geralmente é mecanizado, se beneficiando muito de técnicas modernas de plantio e colheita, o maior produtor mundial são os Estados Unidos. O vegetal era bastante diferente do que se conhece hoje, foi através de cruzamentos entre diferentes tipos, que o grão ficou da forma que conhecemos, e com uma quantidade enorme de variedades.

O milho puro ou como ingrediente de outros produtos, é uma importante fonte energética para o homem. Ao contrário do trigo e do arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras. Além das fibras, o grão de milho é constituído de carboidratos, proteínas (3,32 gramas a cada 100 gramas do cereal) e vitaminas A, C, E e vitaminas do complexo B.

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Também possui bom potencial calórico (160Kcal a cada 100 gramas do cereal), sendo constituído de grandes quantidades de açúcares e gorduras. O milho não possui glúten e contém vários sais minerais como cálcio, magnésio, ferro, fósforo, potássio, selênio e zinco. No entanto, é rico em ácido fítico, que dificulta a absorção destes mesmos.

Tipos de milho

Existem diversas espécies de milho que variam de formato, cor e textura, que são classificados em cinco tipos: doce, duro, pipoca, dentado e mole, além do milho branco e o transgênico.

– Milho doce: Também conhecido como milho verde, seu formato é arredondado levemente irregular, com gosto adocicado e alto valor nutritivo. Possui coloração amarela. Produz açúcar no lugar de amido e, por isso, seu cultivo, manejo e pós-colheita são diferenciados. Suas características permitem que ele seja conservado em água e, assim, enlatado. Usado exclusivamente para o consumo humano.

– Milho flint ou duro: Enquadra-se no grupo de milhos de alta qualidade e rendimento, colhido na fase madura. Apresenta coloração laranja-avermelhada e destina-se a alimentação humana e animal.

– Milho de pipoca: Sua espiga é menor e produz quantidade reduzida de grãos, estes são miúdos, em forma de gota, com tecido duro. Na presença de algum tipo de óleo aquecido, seus grãos explodem e dão origem à pipoca.

– Milho dentado: Possui uma depressão, ou dente, na parte superior do grão causado pelo seu tecido mole. Colhido na fase madura e pode apresentar coloração amarela, branca ou de tons terrosos. Muito utilizado na nutrição animal e para produção de xaropes e álcool.

– Milho mole ou farináceo: Tem grãos adocicados, macios e de sabor suave, constituído de tecido mole ou farináceo que pode ser facilmente moído. Pode ser encontrado na cor branca, amarela e azulada. Por possuir maior parte de tecido mole é comumente usado para farinhas.

– Milho branco: Tem, como principais finalidades, a produção de canjica, grãos e silagem. A espiga é grande, cilíndrica e apresenta alta compensação. O sabugo é fino, os grãos são brancos, profundos, pesados e de textura média. Embora ainda minoritário, o milho branco tem ganhado espaço no mercado nos últimos anos, e a área plantada tem refletido o aumento na demanda. Um dos motivos é que o mercado reconhece que ainda não existem variedades transgênicas de milho branco, o que automaticamente aumenta seu valor de mercado em nichos específicos.

– Milho transgênico: A variedade de milho geneticamente modificado mais conhecida é desenvolvida pela Monsanto, o RR GA21 (tolerante ao herbicida glifosato). Ela é utilizada extensivamente nos Estados Unidos. Outras empresas atuantes no ramo incluem a Syngenta, a BASF, a Bayer e a DuPont. Em 1999, a Novartis foi a primeira empresa a receber autorização do governo brasileiro para realizar testes no país com o milho transgênico BT, resistente a insetos.

Alguns benefícios do milho

– Ajuda a emagrecer: Além do grande valor nutricional, a grande quantidade de fibras também são bons aliados no controle do apetite, proporcionando saciedade, regula o intestino e ainda previne a prisão de ventre. As fibras não são digeridas pelo corpo passam através do sistema digestivo, auxiliando na eliminação de resíduos, limpando o organismo. 

– Boa fonte de proteínas: As proteínas obtidas a partir do consumo do milho, contêm praticamente todos os aminoácidos essenciais à nossa saúde diária, com exceção apenas à lisina, o que pode ser resolvido adicionando feijão, ovos, aves ou carne magra à refeição.

– Protege a visão: O milho de grãos amarelos é mais rico em antioxidantes carotenoides (luteína e zeaxantina), esses carotenóides são conhecidos como pigmentos maculares e estão presentes na superfície interna da retina. Sua função é proteger os olhos da luz e, assim, os riscos de degeneração macular e catarata são reduzidos drasticamente.

O milho também é rico em betacaroteno, que forma a vitamina A em nosso organismo, que auxilia na manutenção da boa visão.

– Ótimo alimento para esportistas e praticantes de atividades físicas: O cereal é rico em carboidratos responsáveis por fornecer energia para o corpo. Além disso, o potássio ajuda a evitar as câimbras e a fadiga muscular, beneficiando a saúde dos músculos.

– Propriedades antioxidantes: Graças à grande quantidade de vitamina C presente no milho, o envelhecimento da pele e dos órgãos acabam sendo reduzidos. Consumir alimentos ricos em antioxidantes serve para garantir a saúde do coração e pode também ajudar a reduzir o risco de infecções e algumas formas de câncer. Além disso, a vitamina A presente no milho também é um agente que auxilia a boa saúde da pele. 

– Beneficia o sistema imunológico: Por ser rico em carotenoides, o milho auxilia a fortalecer o sistema imunológico. Essas substâncias químicas originam os tons de amarelo e vermelho presentes nos alimentos. E, quando ingeridas, fortalecem o corpo, prevenindo e amenizando diversas doenças.

– Reduz os níveis de colesterol e hipertensão: Abastado em fibras, o milho também faz bem para o colesterol e para a hipertensão. A dica para as pessoas que possuem índices elevados de colesterol é evitar preparar o alimento com muita gordura e não abusar na quantidade de sal.

– Reduz o risco de diabetes tipo II: O consumo do milho pode ajudar no controle da diabetes em pacientes não dependentes de insulina. Por conter fitoquímicos, a regulação da liberação de insulina no corpo é otimizada, reduzindo os picos de açúcar no sangue. 

– Auxilia na saúde do cérebro: Rico em vitamina B1, magnésio e potássio, o consumo de milho auxilia na condução dos impulsos nervosos e, consequentemente, em tudo relacionado à essas funções, como exemplo a memória.

– Promove a saúde dos ossos e dentes: Além de possuir cálcio, magnésio e fósforo, que são extremamente essenciais para a saúde óssea, o milho possui vitamina C que é necessária para a produção de colágeno e proporciona resistência aos ossos, dentes e tendões. 

– Auxilia a formação do feto: O ácido fólico (vitamina B6), evita a má formações congênitas, importante para a formação do tubo neural, prevenindo a depressão e fortalecendo o sistema imunológico.

Xarope de milho

Xarope de milho, assim como o xarope de glicose (que costuma ter amido de milho como base), é um adoçante líquido amplamente utilizado em alimentos industrializados, especialmente em doces congelados, por sua característica impeditiva à cristalização.

Considerado um dos responsáveis pela obesidade mundial, este xarope não apresenta bons valores nutricionais e detém uma concentração calórica muito alta até em suas versões lights.