Leite de vaca e derivados são alimentos importantes

O leite de vaca e seus derivados, todos ricos em proteínas e em cálcio, são um grupo de alimentos importantes da nossa alimentação. O leite faz parte da dieta humana há milhares de anos. No entanto, apesar de ser um dos alimentos mais completos que existem há muitos mitos em torno dele, o leite tem sido alvo de uma série de comentários negativos, que até surpreendem: aumento do risco de câncer, de diabetes, de fraturas, de esclerose múltipla e de problemas cardiovasculares são apenas exemplos dos malefícios atribuídos a ele. Mas existe alguma evidência científica válida e com impacto clínico que confirme (ou não) essas convicções?

Estudo experimental x Estudo observacional

Em primeiro lugar, é importante reconhecer que, para poder estabelecer um nexo de causalidade entre um fator de risco (neste caso, a ingestão de leite) e um problema de saúde (seja uma doença, um sintoma, um sinal, etc.), temos que possuir um estudo experimental, no qual selecionamos ao acaso um conjunto de pessoas, as dividimos aleatoriamente em dois grupos (um consome leite regularmente e o outro, não) e analisamos os indicadores clínicos que achamos importantes (aumento do câncer, de eventos cardiovasculares, etc.).

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Estudos que apenas comparam pessoas que bebem leite com as que não o bebem na sua vida normal (os estudos observacionais) são válidos, mas não permitem concluir com a mesma certeza a relação eventualmente encontrada entre o leite e potenciais doenças. Isso porque pode haver outras causas para essas doenças que nada tenham a ver com a ingestão de leite.

O corpo humano e a fabricação de lactase

Existem evidências de que mais de 10 mil anos atrás, ainda na última Era do Gelo, de fato o leite de vaca era uma espécie de veneno após a infância. Isso porque, ao contrário das crianças, os mais velhos eram incapazes de produzir lactase, a enzima que quebra a lactose, o açúcar presente na bebida.

Mas, de acordo com um artigo publicado na revista científica Nature, uma das mais respeitadas do planeta, um fenômeno interessante aconteceu quando a agricultura e a criação de animais substituíram a caça: uma mutação genética permitiu que o corpo humano passasse a fabricar lactase. Transmitida de geração em geração, a alteração no DNA se propagou e foi o estopim para a chamada “revolução do leite“.

Tipos de leites de vaca

O leite de vaca pode ser integral, que é quando contém a gordura natural dele, semidesnatado, que é quando parte da gordura foi retirada, ou desnatado, que é quando a indústria retira toda a gordura do leite, deixando apenas a sua porção de carboidratos e proteínas.

Além disso, de acordo com o processo de fabricação, o leite pode se classificar da seguinte forma:

– Leite de vaca puro ou natural: É o leite retirado da vaca que vai diretamente para a casa do consumidor, sem passar por nenhum processo industrial;

– Leite Pasteurizado: É o leite de saco que fica armazenado na geladeira. Ele foi aquecido a 65ºC por 30 minutos ou a 75°C durante 15 a 20 segundos com o objetivo de eliminar as bactérias.

– Leite UHT: É o leite de caixa ou conhecido como “leite longa vida”, que não precisa ser guardado na geladeira antes de aberto. Ele foi aquecido a 140°C durante quatro segundos, também para eliminar as bactérias.

– Leite em pó: Ele é feito a partir da desidratação do leite de vaca integral. Assim, a indústria retira toda a água do leite líquido, fazendo ele virar um pó que pode ser reconstituído ao adicionar água novamente.

11 propriedades nutricionais e benefícios do leite de vaca

– Proteína: Dentre as várias proteínas encontra-se a caseína, principal proteína do leite (de boa qualidade nutricional) o que significa que possui aminoácidos essenciais (que não são produzidos pelo organismo humano) vitais para o funcionamento do metabolismo e crescimento dos tecidos e órgãos, funcionamento e fortalecimento do sistema imunológico (sistema de defesa do organismo).

– Cálcio: Mineral de grande biodisponibilidade (facilmente absorvido pelo organismo) vital para a regulação do metabolismo; atua na construção e manutenção da massa óssea junto com a vitamina D, atua na coagulação sanguínea, na transmissão do impulso nervoso, e consequentemente, no funcionamento normal do cérebro, e na regulação do sistema endócrino.

– Fósforo: Outro mineral de grande biodisponibilidade (facilmente absorvido pelo organismo). Auxilia em vários processos metabólicos a nível celular, ajuda a gerar energia nas células do corpo, influencia a mineralização dos ossos e, consequentemente, no fortalecimento dos ossos.

– Potássio: Mineral essencial para o equilíbrio dos fluidos corporais, ajuda na regulação da pressão arterial. Também auxilia na contração e atividade muscular.

– Vitamina D: A maioria dos leites no mercado são fortificados com Vitamina D, pois esta auxilia o cálcio na construção e manutenção da massa óssea e, consequentemente, no fortalecimento dos ossos. Auxilia a absorção de cálcio e fósforo vindos da dieta.

– Vitamina K: Outra vitamina normalmente adicionada ao leite de vaca comercializado. Influencia a coagulação sanguínea e atua juntamente com o cálcio e vitamina D, auxiliando na calcificação normal dos ossos.

– Vitamina A: Essencial para a manutenção da visão, inicia o impulso nervoso, fortalece o sistema imunológico aumentando a resistência às infecções, essencial em vários processos metabólicos a nível celular.

– Vitaminas do Complexo B: Vitamina B12, Niacina (B3) e Riboflavina (B2), essenciais no combate à alguns tipos de anemias, auxiliam na produção de energia e formação de tecidos do corpo, auxilia o sistema nervoso e fortalece sistema imunológico.

– Vitamina E: Importante antioxidante, auxilia no combate ao envelhecimento, mantém uma pele mais saudável, e auxilia na manutenção dos tecidos dos rins, fígado e sistema nervoso.

– Água: Mais de 85% do conteúdo nutricional do leite é água, contribuindo assim para a hidratação diária do organismo. Mas atenção: beber leite não substitui a necessidade de beber água.

– Lactose: Lactose é o tipo açúcar do leite. Açúcar é a principal fonte de energia utilizada pelo corpo e é vital para o funcionamento do cérebro.