Ginkgo biloba realmente funciona?

O Ginkgo biloba é uma planta medicinal ancestral da China, uma árvore considerada um fóssil vivo, pois existe há mais de 200 milhões de anos. Foi descrita pela primeira vez pelo médico alemão Engelbert Kaempfer por volta de 1690, mas só despertou o interesse de pesquisadores após a Segunda Guerra Mundial, quando perceberam que a planta tinha sobrevivido à radiação em Hiroshima, brotando no solo da cidade devastada. Porém ainda requer muitos estudos para comprovar cientificamente as muitas propriedades dessa planta, sendo frequente se deparar com a pergunta: ginkgo biloba realmente funciona?

Embora alguns benefícios ainda sejam calçados em hipóteses, existem muitos resultados de estudos já comprovados quanto a sua eficácia na medicina fitoterápica.

Os extratos feitos com esta planta parecem possuir vários benefícios para a saúde que estão relacionados, principalmente, com a melhora do fluxo sanguíneo arterial, cerebral e periférico. Devido à sua ação na estimulação cerebral, o ginkgo é conhecido como um elixir natural para a saúde mental, as áreas do cérebro responsáveis pela memória e pelo raciocínio ficam mais despertas. Suas folhas têm sido frequentemente usadas no combate aos radicais livres e como auxiliar da oxigenação cerebral.

Outras estratégias descritas em diferentes trabalhos são sua habilidade para inibir os vasos que alimentam o câncer e sua capacidade de evitar danos ao DNA. Esses efeitos são obtidos por meio da ação de duas substâncias, os terpenóides e os bioflavonóides. Os primeiros viraram objeto de estudo mais recentemente. Os bioflavonóides, contudo, são conhecidos de longa data. Agem como antioxidantes, combatendo os radicais livres e impedindo o envelhecimento.

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A maneira como a ginkgo e seus componentes agem em escala celular ainda não foi totalmente decifrada, mas há algumas hipóteses. “Talvez a planta esteja envolvida com a habilidade do organismo de causar apoptose, a morte programada de células defeituosas”, diz Daniel Cramer, diretor de Obstetrícia e Ginecologia Epidemiológica do Brigham and Women`s Hospital, ligado à Escola Medicina Harvard, nos Estados Unidos.

Benefícios do ginkgo biloba

– Melhora o rendimento cerebral e a concentração: O ginkgo biloba melhora a microcirculação sanguínea, aumentando a quantidade de oxigênio disponível em vários locais do corpo. Um desses locais é o cérebro e, por isso, o uso desta planta pode facilitar o pensamento e aumentar a concentração, já que existe mais sangue chegando no cérebro para o seu correto funcionamento.

Além disso, como também possui ação anti-inflamatória e antioxidante, o uso contínuo de ginkgo biloba também parece evitar o surgimento de cansaço mental, especialmente em pessoas muito ativas.

– Evita a perda de memória: Devido ao aumento da circulação sanguínea no cérebro e melhora da capacidade cognitiva, o ginkgo também evita danos nos neurônios, combatendo a perda de memória, especialmente em idosos, ajudando a prevenir casos de Alzheimer.

Mesmo em pacientes que já têm Alzheimer, vários estudos apontam uma melhora da capacidade mental e de socialização, quando se utiliza o ginkgo biloba associado ao tratamento médico.

– Combate a ansiedade e a depressão: O uso de ginkgo biloba ajuda a melhorar a capacidade do corpo para lidar com os elevados níveis de cortisol e adrenalina, que são produzidas no organismo quando existe um episódio de muito estresse. Dessa forma, pessoas que sofrem com distúrbios de ansiedade podem ter benefício com o consumo desta planta já que se torna mais fácil lidar com o excesso de estresse que estão sentindo.

Também devido à sua ação sobre o equilíbrio hormonal, o Ginkgo diminui as alterações bruscas de humor, especialmente em mulheres durante a TPM, reduzindo o risco de desenvolver uma depressão.

– Melhora a saúde dos olhos: Devido à sua capacidade para melhorar a circulação sanguínea e eliminar os radicais livres do organismo, o ginkgo parece evitar danos em locais sensíveis dos olhos, como a córnea, a mácula e a retina. Assim, este suplemento pode ser usado para preservar a visão por mais tempo, especialmente em pessoas com problemas como glaucoma ou degeneração macular, por exemplo.

– Ajuda a regular a pressão arterial: O ginkgo biloba provoca uma ligeira dilatação dos vasos sanguíneos e, com isso, melhora a circulação sanguínea, diminuindo a pressão sobre os vasos e o coração. Dessa forma, a pressão arterial tem tendência para diminuir, especialmente em pessoas com pressão alta.

– Melhora a saúde do coração: Além de diminuir a pressão arterial, o ginkgo também parece evitar a formação de coágulos sanguíneos. Assim, existe menos pressão sobre o coração, o que acaba facilitando o seu funcionamento. Além disso, como existe menor risco de ter coágulos, também existem menos chances de sofrer um infarto, por exemplo.

– Ajuda a aumentar a libido: O ginkgo biloba parece aumentar a libido através do equilíbrio hormonal que provoca e do aumento da circulação sanguínea para a região genital, o que acaba ajudando homens com disfunção erétil, por exemplo.

Riscos de consumo e efeitos colaterais

Embora seja uma planta bastante segura e seus efeitos colaterais sejam raros, especialmente quando utilizado na dose correta, devido a propriedade de dilatar os vasos sanguíneos algumas pessoas podem sentir dor de cabeça, reação alérgica na pele, enjoos, palpitações, sangramentos ou diminuição da pressão arterial.

Esse problema é maior nas cápsulas de pó macerado e nas folhas para chá, vendidas em lojas de produtos naturais. Além de ter a eficiência questionada, elas possuem grandes quantidades de um ácido capaz de irritar a pele. Ao afinar o sangue, a planta também pode causar sangramentos (antes de submeter um paciente a cirurgia, os médicos costumam pedir que cesse a ingestão do ginkgo). Pelo mesmo motivo pacientes com elevado risco de hemorragia ou com alguma hemorragia ativa devem evitar o consumo.

O ginkgo biloba também não deve ser usado em crianças com menos de 12 anos, grávidas, mulheres a amamentar.

Lembre-se que para fazer uso de qualquer medicamento, seja ele fitoterápico ou não, um profissional de saúde deve ser sempre consultado.