Flavonoides e seus muitos benefícios para saúde

Os flavonoides, também chamados de bioflavonoides, são compostos bioativos da classe dos polifenóis com diversas propriedades benéficas para o nosso organismo. Porém os flavonoides não são sintetizados pelo organismo, sendo importante o seu consumo através de uma alimentação saudável e equilibrada para que seus muitos benefícios para nossa saúde possam ser aproveitados, pois eles podem ser encontrados em grandes quantidades em alguns alimentos.

Os flavonoides pertencem ao grupo dos fitoquímicos ou fitonutrientes. Isso quer dizer que são nutrientes que são necessários apenas em pequenas quantidades, mas que oferecem efeitos protetores em relação a diversas doenças. A principal propriedade dos flavonoides é a antioxidante, mas também possuem outras propriedades como, anti-inflamatórias, hormonais, antialérgicas, anticancerígenas, entre outras.  São ainda denominados de fator P ou substância P, auxiliando na absorção da vitamina C.

Leia também: O papel dos antioxidantes em nosso organismo

Leia também: Os antioxidantes e as doenças neurodegenerativas

Principais propriedades dos flavonoides

– Antioxidantes: Neutralizam os denominados radicais livres, que produzem dano oxidativo nas células e, consequentemente, geram diversas doenças (cardíacas, aterosclerose, diabetes tipo II, catarata), além de acelerarem o processo de envelhecimento.

– Anti-inflamatórias: Reduzem ou inibem a atividade de compostos associados a respostas inflamatórias. Os flavonoides são recomendados como um suplemento para o tratamento da artrite, para doenças inflamatórias do intestino e lesões esportivas.

– Neuroprotetoras: Previnem doenças neurodegenerativas, principalmente as vinculadas à idade, como o Alzheimer. Os flavonoides também favorecem a aprendizagem e melhoram o rendimento cognitivo.

– Antitrombóticas: Reduzem o risco de formação de coágulos que podem causar isquemias cardíacas, intestinais e cerebrais, infarto do miocárdio ou trombose nas veias das pernas.

– Antimicrobianas: Alguns flavonoides ajudam a prevenir infecções bacterianas, enquanto outros são úteis contra infecções virais.

– Hepatoprotetoras: Apoiam a desintoxicação realizada pelo fígado e o protegem do dano causado por alguns medicamentos ou por quantidades excessivas de álcool.

– Anticancerígenas: O efeito antioxidante dos flavonoides é anticancerígeno já que o estresse oxidativo é vinculado a um maior risco de câncer e de mutações do material genético.

– Venotônicas: Favorecem a circulação de sangue nas veias e vasos capilares. Também fortalecem as paredes dos vasos e previnem a fragilidade capilar.

– Vasodilatadoras: Aumentam o diâmetro dos vasos sanguíneos e diminuem a taxa de pressão arterial.

Classes de flavonoides

Como existem milhares de flavonoides (mais de cinco mil compostos flavonoides que ocorrem na natureza foram descritos e classificados) e suas estruturas químicas e funções biológicas são diferentes entre si, esses compostos foram classificados em vários grupos. Os mais importantes do ponto de vista médico e nutricional são: flavonas, isoflavonas, flavanonas, flavanóis e antocianidinas.

Alimentos ricos em flavonoides de acordo com suas classes

– Flavonas (apigenina, luteolina): Aipo, tomilho, salsa, hortelã, pimenta verde, camomila, dente de leão.

– Isoflavonas (daidzeína, genisteína, gliciteína): Soja e derivados (broto de soja, tofu, tempeh, missô, farinha de soja, soja texturizada, bebida vegetal de soja – leite de soja).

– Flavonoles (quercetina, kaempferol, silimarina e rutina): Cebola, maçã, Ginkgo biloba, repolho, alho-poró, chá verde, brócolis, vinho tinto, uva roxa.

– Flavanonas (hesperidina, narangenina): Frutas cítricas (limão, laranja, toranja, tangerina), menta, tomate.

– Flavanoles (catequinas e taninas): Chá verde, cacau, damasco, pêssego, vinho tinto, café, sementes de uva, romã.

– Antocianinas (cianidina, petunidina, malvidina, pelargonidina): Mirtilos, oxicocos, amoras, repolho roxo, cebola roxa, milho roxo, uva roxa, vinho tinto, morangos, framboesas.

Suplementação de flavonoides

Os flavonoides, muitas vezes, costumam estar concentrados nas partes não comestíveis dos alimentos e que são comumente descartadas. Por exemplo, no caso das frutas cítricas, a maior quantidade de flavonoides está nas sementes, na casca e no bagaço (a parte branca). A mesma coisa acontece com as sementes da maçã e das uvas.

A melhor maneira de aproveitar esses compostos e de consumi-los de uma forma fácil é extrair os flavonoides das partes não comestíveis dos alimentos e apresentá-los em formato de cápsula ou comprimido. Essa forma de apresentação possui um sabor suave ou neutro. E, além disso, com os suplementos é possível obter concentrações maiores de flavonoides que os alimentos em seu estado natural ou fresco.

Riscos de consumo e efeitos colaterais

Importante salientar que, como dito, os flavonoides são fitonutrientes naturalmente presentes nos alimentos, e por isso suas contraindicações só existem quando estamos falando de suplementos ou complementos alimentares na forma de comprimidos ou extrato seco, nunca do alimento na sua forma natural.

Os suplementos de flavonoides são contraindicados nas seguintes situações:

– Gravidez, lactância e infância: Porque não se tem certeza de que seu consumo seja seguro durante essas etapas da vida.

– Pessoas com transtornos de coagulação sanguínea: Pois os flavonoides atuam como anticoagulantes.

– Indivíduos hipotensos ou com tendência para a hipotensão arterial: Uma vez que os flavonoides são vasodilatadores e podem diminuir a pressão.

– Suplementos de isoflavonas (soja e derivados) não são recomendados para diabéticos que usam insulina: Porque podem interferir na ação desse hormônio.