Férias? Incentive a alimentação saudável do seu filho

Não há dúvidas que comer frutas e vegetais é essencial para uma dieta balanceada, porque não aproveitar as férias ‘dos pequenos’ e tomar uma ação que incentive seu filho a ter uma alimentação saudável levando ele à cozinha e pondo a ‘mão na massa’? As recomendações atuais para um consumo considerado ótimo, associado a uma redução de risco de doenças crônicas, devem ser de no mínimo 400 gramas, o que equivale a cinco porções ao dia.

Esse hábito deve ser incentivado o quanto antes. Pesquisas mostram que crianças e adolescentes apresentam um consumo de menos da metade do esperado. O pior é que o baixo consumo de frutas e vegetais está associado a comportamentos de maior risco, como maior consumo de refrigerantes e maiores taxas de sedentarismo, contribuindo ainda mais para o risco de doenças como obesidade e diabetes tipo 2 na idade adulta.

Uma queixa comum de muitos pais é que a criança não gosta de legumes e torce o nariz para um alimento verde no prato. Mas para que a criança crie o hábito de incluir esses alimentos na dieta é muito importante que ela sinta prazer no seu consumo. Certamente criar uma guerra na hora das refeições é a pior alternativa. Fazer ameaças do tipo ‘se não comer a salada não ganha sobremesa’ só aumenta a aversão pelas verduras.

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Como reverter a aversão do seu filho por frutas e vegetais

Mas, como aumentar o prazer da criança pelo brócolis ou pela cenoura, por exemplo? A psicologia tão utilizada em marketing tem sido agora estudada para ajudar nesses problemas. Um grupo de pesquisadores avaliou o chamado ‘efeito IKEA’. Esse efeito baseia-se em produtos do fabricante sueco IKEA de ‘faça você mesmo’ e propõe que as pessoas valorizam objetos criados por elas mesmas e sentem maior satisfação a que com objetos criados por outras pessoas, porque elas dedicaram mais esforço na sua elaboração.

No campo da culinária esse efeito tem sido estudado em relação ao prazer obtido com o consumo de um alimento preparado pela própria pessoa. Um estudo descobriu que as crianças comem mais um determinado alimento, quando elas participam da sua preparação. Mas, é importante que a criança tenha a autonomia e liberdade na escolha dos ingredientes e forma de preparo, a que simplesmente seguir a instrução restrita de uma receita.

É preciso que essa experiência do preparo seja divertida, prazerosa e que o resultado seja elogiado. Uma pesquisa recente conseguiu comprovar que, quando as crianças são envolvidas no planejamento e preparo dos legumes e verduras, junto com seus pais, elas acabam gostando mais de comer e consomem mais esses tipos de alimentos. Além de que o ato de criar cozinhando, trabalha a concentração, a organização, a autonomia, a voracidade, a capacidade de esperar, o desenvolvimento do paladar e, principalmente, a autoestima.

Uma outra dica é chamar alguns amiguinhos para compartilhar a experiência e degustarem juntos o resultado.

A importância da organização

Outra vantagem desse tipo de experiência é poder despertar na criança desde cedo cuidados com higiene e o senso de organização. Para que a criançada aproveite a cozinha e consiga preparar comidas deliciosas, é preciso ter alguns cuidados e fazer alguns preparativos:

– Lave bem as mãos.

– Habitue a criança usar avental, assim ela evita sujar a roupa.

– Para os que têm cabelos longos, é bom prendê-los ou usar uma touca.

– Tenha o livro de receitas em mãos e, juntamente com a criança, faça uma leitura prévia da receita que será executada.

– Separe todos os ingredientes em vasilhas, já nas quantidades certas para a receita. É bom também, organizar todos os utensílios que serão usados.

E lembre-se: o cuidado ao manipular objetos cortante e ao usar o fogão é imprescindível, acompanhe atentamente sempre que a criança o fizer.

Assim, se o seu filho está dando trabalho para comer determinados alimentos que são importantes para uma boa saúde, que tal aproveitar as férias para envolvê-los em atividades divertidas na cozinha? Com toda certeza esse tipo de atitude, somado a escolha de receitas certas com ingredientes naturais, irá reverter a situação aos poucos e, com o tempo, criará o hábito na criança de se alimentar de forma mais saudável.

Fonte: Dra. Cintia Cercato (Endocrinologia e Metabologia)