Diabetes Parte 1 – tipos, sintomas e tratamentos

Por se tratar de um tema extremamente extenso, vamos abordar o assunto em partes, primeiro falaremos do que se trata a doença, seus tipos, sintomas e tratamentos, numa segunda parte deste artigo falaremos sobre como prevenir a diabetes, o uso da insulina, hipoglicemia e as complicações que a diabetes pode acarretar, para, então, numa terceira parte falarmos do papel da nutrição na diabetes, neste momento serão abordados os estágios de atendimento do nutricionista no caso de um paciente diabético.

Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo.

O diabetes é uma doença crônica onde o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo não consegue utilizá-la de maneira eficaz. A insulina é um hormônio que tem a função de quebrar as moléculas de glicose transformando-a em energia para manutenção das células do nosso organismo.

Altas taxas de glicose podem levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional.

A melhor forma de prevenir é praticando atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável e evitando consumo de álcool, tabaco e outras drogas.

Leia também: Diabetes Parte 2 – uso da insulina, prevenção e complicações

Leia também: Diabetes Parte 3 – o papel da Nutrição no tratamento da diabetes

O diabetes mellitus pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos diferentes. Independente do tipo de diabetes, com aparecimento de qualquer sintoma é fundamental que o paciente procure com urgência o atendimento médico especializado para dar início ao tratamento.

Diabetes Tipo 1: A causa desse tipo de diabetes ainda é desconhecida e a melhor forma de preveni-la é com práticas de vida saudáveis (alimentação, atividades físicas e evitando álcool, tabaco e outras drogas).

Pessoas com diabetes tipo 1 devem administrar insulina diariamente para regular a quantidade de glicose no sangue. 

O diabetes tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Pessoas com parentes próximos que têm ou tiveram a doença devem fazer exames regularmente para acompanhar a glicose no sangue. 

Sabe-se que, via de regra, é uma doença crônica não transmissível genética, ou seja, é hereditária, que concentra entre 5% e 10% do total de diabéticos no Brasil. Cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil têm esse tipo. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar. 

Dependendo da gravidade, pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.

Diabetes Tipo 2: Ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. Esse tipo de diabetes está diretamente relacionado ao sobrepeso, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados.

Pré-Diabetes:  A Pré-diabetes é caracterizada quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar um Diabetes tipo 1 ou tipo 2. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com alterações nos lipídios. 

Esse alerta do corpo é importante por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolução da doença e o aparecimento de complicações, incluindo o infarto.

No entanto, 50% dos pacientes que têm o diagnóstico de pré-diabetes, mesmo com as devidas orientações médicas, desenvolvem a doença.

A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle.

Diabetes gestacional: Ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2. 

Toda gestante deve fazer o exame de diabetes, regularmente, durante o pré-natal. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações durante a gravidez e o parto. Esse tipo de diabetes afeta entre 2 e 4% de todas as gestantes e implica risco aumentado do desenvolvimento posterior de diabetes para a mãe e o bebê.

Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA):  Atinge basicamente os adultos e representa um agravamento do diabetes tipo 2. 

Caracteriza-se, basicamente, no desenvolvimento de um processo autoimune do organismo, que começa a atacar as células do pâncreas. 

Sintomas

– Fome excessiva;

– Sede excessiva;

– Cansaço;

– Fraqueza;

– Fadiga;

– Nervosismo;

– Mudanças de humor;

– Náusea e vômito;

– Perda de peso rápida e involuntária;

– Hálito modificado;

– Visão embaçada;

– Vontade de urinar várias vezes ao dia;

– Frequentes Infecções na bexiga, rins e pele;

– Feridas que demoram para cicatrizar;

– Alteração visual;

– Formigamento nos pés e mãos.

Fatores de risco para o diabetes

– Diagnóstico de pré-diabetes;

– Pressão alta;

– Colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue;

– Sobrepeso, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura;

– Pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes;

– Doenças renais crônicas;

– Mulher que deu à luz criança com mais de 4kg;

– Diabetes gestacional;

– Síndrome de ovários policísticos;

– Diagnóstico de distúrbios psiquiátricos – esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar;

– Apneia do sono;

– Uso de medicamentos da classe dos glicocorticóides.

Tratamento

Diabetes do Tipo 1: Os pacientes que apresentam diabetes do Tipo 1 precisam de injeções diárias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores considerados normais.

Para essa medição, é aconselhável ter em casa um aparelho, chamado glicosímetro, que será capaz de medir a concentração exata de glicose no sangue durante o dia-a-dia do paciente.

Os médicos recomendam que a insulina deva ser aplicada diretamente na camada de células de gordura, logo abaixo da pele. Os melhores locais para a aplicação de insulina são barriga, coxa, braço, região da cintura e glúteo.

IMPORTANTE: Além de prescrever injeções de insulina para baixar o açúcar no sangue, alguns médicos solicitam que o paciente inclua, também, medicamentos via oral em seu tratamento, de acordo com a necessidade de cada caso.

Diabetes Tipo 2: Já para os pacientes que apresentam Diabetes Tipo 2, o tratamento consiste em identificar o grau de necessidade de cada pessoa e indicar, conforme cada caso, os seguintes medicamentos/técnicas:

– Inibidores da alfaglicosidase: impedem a digestão e absorção de carboidratos no intestino;

– Sulfonilureias: estimulam a produção pancreática de insulina pelas células;

– Glinidas: agem também estimulando a produção de insulina pelo pâncreas.

O Diabetes Tipo 2 normalmente vem acompanhado de outros problemas de saúde, como obesidade, sobrepeso, sedentarismo, triglicerídios elevados e hipertensão. Por isso, é essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes. 

Para tratar o diabetes, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece medicamentos de graça pelo programa Farmácia Popular. São seis medicamentos financiados pelo Ministério da Saúde e liberados nas farmácias credenciadas.

Além disso, os pacientes portadores da doença são acompanhados pela Atenção Básica e a obtenção do medicamento para o tratamento tem sido fundamental para reduzir os desfechos mais graves da doença.

Desta forma, os doentes têm assegurado gratuitamente o tratamento integral no Sistema Único de Saúde, que fornece à população as insulinas humana NPH – suspensão injetável 1 e insulina humana regular, além de outros três medicamentos que ajudam a controlar o índice de glicose no sangue: Glibenclamida, Metformida e Glicazida.

Em março de 2017, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) incorporou ao SUS duas novas tecnologias para o tratamento do diabetes:

– A caneta para injeção de insulina, para proporcionar a melhor comodidade na aplicação, facilidade de transporte, armazenamento e manuseio e maior assertividade no ajuste da dosagem;

– Insulina análoga de ação rápida, que são insulinas semelhantes às insulinas humanas, porém com pequenas alterações nas moléculas, que foram feitas para modificar a maneira como as insulinas agem no organismo humano, especialmente em relação ao tempo para início de ação e duração do efeito.

Para os que já têm diagnóstico de diabetes, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente, já na atenção básica,  atenção integral e gratuita, desenvolvendo ações de prevenção, detecção, controle e tratamento medicamentoso, inclusive com insulinas.

Para monitoramento do índice glicêmico, também está disponível nas Unidades Básicas de Saúde reagentes e seringas. O programa Aqui Tem Farmácia Popular, parceria do Ministério da Saúde com mais de 34 mil farmácias privadas em todo o país, também distribui medicamentos gratuitos, entre eles o cloridrato de metformina, glibenclamida e insulinas. 

Transtornos alimentares

Adolescentes e mulheres jovens com diabetes Tipo 1 têm o dobro de chances de desenvolver um transtorno alimentar – cerca de 10% delas vai apresentar algum problema como anorexia ou bulimia. Alguns autores atribuem a este problema o termo diabulimia.

Uma das explicações possíveis é a maior atenção que as pessoas com diabetes geralmente dá à sua alimentação e também as mudanças no peso causadas pela terapia com insulina. Pesquisadores estimam que entre 10 e 20% das adolescentes até os 16 anos e entre 30 e 40% das jovens entre 16 e 25 anos com diabetes alteram a dosagem de insulina para controlar o peso.

Essa é uma medida perigosa e que pode provocar, em um futuro próximo, efeitos indesejados e que ameaçam a vida: descontrole geral do metabolismo e sucessivas internações por níveis muito altos ou muito baixos de glicose. Caso esse problema de controle da glicemia persista, podem haver sérias complicações como problemas nos olhos, coração, rins, saúde mental e aos nervos. 

Fonte: Ministério da Saúde