Cúrcuma usada na culinária e na medicina alternativa

A cúrcuma, também conhecido como açafrão-da-índia ou açafrão-da-terra, é uma raiz originária da Ásia, da família do gengibre. No mundo todo há mais de 100 espécies da família Cúrcuma, mas a usada no Brasil é extraída da planta Cúrcuma Longa. A parte usada como especiaria é a raiz da cúrcuma, que é limpa, seca e moída. Além de ser muito comum na culinária indiana e asiática, a cúrcuma também é usada na medicina alternativa.

O vegetal é aromático e possui sabor picante, assim como seu primo gengibre. No sul da Índia, o açafrão-da-terra é consumido cru. No Brasil ela é utilizada por exemplo, em molhos, carne vermelha e branca, no arroz e em caldos. Devido à presença do pigmento curcumina, a raiz revela uma superfície de cor laranja forte quando cortada, por esse motivo, é muito utilizada como corante alimentício natural em laticínios, bebidas, mostarda e macarrões, entre outros. Na Ásia, o vegetal integra receitas de cosméticos como máscaras faciais e pomadas para pele oleosa.

Embora a cúrcuma seja conhecida também como açafrão-da-índia ou açafrão-da-terra, não deve ser confundido com o açafrão, ou açafrão verdadeiro, como é conhecido no Brasil. Este é extraído do estigma das flores (área receptiva do pistilo das flores, onde o grão de pólen inicia a germinação) da planta de nome científico Crocus sativus, originária da região do Mediterrâneo. O açafrão é muito mais caro do que a cúrcuma, já que são necessárias 150 mil flores para se obter um quilo de açafrão seco, e os estigmas dessas flores precisam ser extraídos manualmente.

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O grande valor medicinal da cúrcuma reside na curcumina, um polifenol com ação antioxidante e anti-inflamatória, responsável pela cor amarela intensa do açafrão. A raiz ainda possui vitamina C, e é rica em potássio, mas possui outros minerais como magnésio, fósforo, entre outros, em quantidades menos significativas.

Principais benefícios da cúrcuma

– Forte ação anti-inflamatória: A curcumina é considerada o principal agente farmacológico no açafrão. Em numerosos estudos os efeitos anti-inflamatórios da curcumina são comparáveis aos da hidrocortisona, diclofenaco e fenilbutazona (drogas anti-inflamatórias potentes).

– Ação antioxidante: Estudos clínicos têm comprovado que a curcumina exerce um efeito antioxidante muito poderoso, assim ela é capaz de neutralizar os radicais livres.

– Aliado contra a artrite: Devido à ação antioxidante da curcumina, a cúrcuma ajuda a aliviar a artrite. Isto porque nesta doença os radicais livres são responsáveis pela degeneração e inflamação das articulações. A combinação do efeito antioxidante e anti-inflamatório do açafrão reduz os sintomas da artrite, como a rigidez matinal, o edema e a dor.

– Combate o câncer: A ação antioxidante da curcumina presente no açafrão-da-terra protege as células de radicais livres que podem danificar o DNA celular, cuja alteração leva ao crescimento de células cancerígenas. Este polifenol também ajuda o corpo a destruir as células cancerosas desgarradas evitando metástases.

A curcumina ainda age inibindo a síntese de proteínas que atuam na formação do tumor e evita a angiogênese, que é a formação de novos vasos sanguíneos para alimentar o crescimento de células cancerígenas.

– Auxilia o cérebro: Os resultados de um estudo publicado em 2014 na revista Stem Cell Research & Therapy, mostram que a cúrcuma pode ajudar a reparar o cérebro após uma lesão e também pode ser usado para tratar doenças neurodegenerativas. A substância responsável por este benefício é a turmerona, um polifenol encontrado na raiz.

Ainda foi descoberto que a cúrcuma é capaz de impedir a formação de compostos destrutivos (proteínas alfa-sinucleína) que estão presentes no cérebro em doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer.

– Trata a depressão: Um estudo publicado na revista Phytotherapy Research confirmou através de ensaio clínico em 60 pacientes que a curcumina é segura e eficaz no tratamento de estados graves de depressão comparada com a fluoxetina. A eficácia da curcumina foi semelhante ao do medicamento antidepressivo, no entanto, a curcumina não apresenta nenhum dos efeitos colaterais associados com a droga e ainda fornece benefícios adicionais à saúde. A substância curcumina aumenta os níveis de neurotransmissores como serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de bem-estar.

– Promove a saúde do coração: A curcumina é capaz de evitar a oxidação do colesterol no organismo. O colesterol oxidado é o que danifica os vasos sanguíneos e se acumula em placas endurecidas que podem levar a um ataque cardíaco ou derrame. Esta ação, impedindo a oxidação do colesterol, pode ajudar a reduzir a progressão da aterosclerose e de outras doenças cardíacas.

– Auxilia a perda de peso: A cúrcuma tem ação na inibição da lipogênese, produção de gordura pelo corpo. Além disso a ação anti-inflamatória da curcumina é outro mecanismos que ajuda na perda de peso.

A curcumina também pode ser útil no tratamento e prevenção de doenças crônicas relacionadas com a obesidade porque a curcumina interage em vários caminhos metabólicos capazes de reverter a resistência à insulina (pré-diabetes), hiperglicemia (açúcar alto no sangue), hiperlipidemia (colesterol elevado) e outros sintomas inflamatórios associados a obesidade.

Riscos de consumo e efeitos colaterais

Apesar de ter vários benefícios para saúde a cúrcuma está contraindicada em pacientes que estejam tomando remédios anticoagulantes e com obstrução das vias biliares devido à pedra na vesícula. Pessoas que possuem úlceras gástricas ou que apresentam histórico do problema não devem fazer uso prolongado da cúrcuma. A cúrcuma na gravidez ou lactação só deve ser utilizada sob orientação médica, lembrando que já foi constatado que ela tem ação abortiva.

Além das contraindicações, é importante ficar atento à interações medicamentosas. Por apresentar atividade anticoagulante, o uso da cúrcuma juntamente com anticoagulantes, por exemplo, pode levar a hemorragias. Além disso, apresenta interação com alguns anti-inflamatórios, imunossupressores e medicamentos, como irinotecán e cotrimoxazol.