Couve um ícone da culinária brasileira

A couve, na forma que consumimos hoje, surgiu, aproximadamente 600 A.C. trazidas para a Europa pelos povos celtas. Origem à parte, o que importa é que essa verdura facilmente se espalhou pelo mundo e, trazida de Portugal para o Brasil, a couve se tornou um ícone da culinária brasileira, especialmente da cozinha mineira, sendo indispensável em pratos típicos como a feijoada e o caldo verde.

Parente do nabo e da mostarda, a couve é extremamente popular por ser econômica, fácil de encontrar o ano inteiro e extremamente benéfica à saúde, sendo, até mesmo, utilizada medicinalmente. Entre suas propriedades, a que mais se destaca é a ação desintoxicante, ao ponto de evitar cânceres por eliminar substâncias cancerígenas e fortalecer o sistema imunológico. Os fitoquímicos presentes no alimento ainda combatem a formação de uma bactéria no estômago, o “H. Pylori”, que é responsável por causar câncer na região.

Para poder aproveitar plenamente tudo de melhor que o alimento oferece, é imprescindível, todavia, tomar cuidados com as temperaturas altas na hora do preparo. Os nutrientes são muito voláteis, sensíveis ao calor, então não se deve expor a folha a cozimentos longos. Cortar as couves em fatias finas antes do cozimento diminui o tempo cozimento e resolve isso, e ainda melhora a coloração das folhas sem sacrificar o sabor.

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O importante equilíbrio entre Cálcio e Magnésio

A couve é um alimento mais adequado para os ossos que o leite de vaca. Além de ter cálcio e magnésio, ela carrega esses dois minerais na proporção adequada. O cálcio precisa do magnésio na medida certa para conseguir exercer suas funções; entre elas, formar a massa óssea. O leite de vaca tem nove vezes menos magnésio e três vezes mais cálcio do que a proporção necessária. Isso faz com que o cálcio do leite tenha dificuldade de se fixar no nosso esqueleto. Esse desequilíbrio aumenta o risco de perda de massa óssea, daí o risco da osteoporose.

O magnésio ainda é parceiro do cálcio em várias outras tarefas: ajudar o corpo a se livrar do acúmulo de gordura, manter a pressão arterial sob controle, regular a ação de hormônios e controlar os movimentos dos músculos. Na couve, o magnésio faz parte da clorofila – substância que dá a cor verde à folha e com potencial de renovar as células do nosso organismo. Quer dizer que a verdura tem mais essa vantagem: rejuvenesce.

Benefícios da couve

– Ajuda a emagrecer: Contém muitas fibras que aumentam a nossa sensação de saciedade. É pobre em calorias (uma porção de 100 gramas possui apenas 28 calorias) e por isso, ela é muito utilizada em dietas para redução de peso.

– Poderosa ação detox: Ela é rica em glicosinolatos, que são fitoquímicos naturais com ação desintoxicante; ou seja, estimula a limpeza de substâncias tóxicas do organismo. É rica em vitamina A, que age como um antioxidante, que são responsáveis por combaterem os radicais livres que estão associados ao envelhecimento precoce da pele.

A couve também é fonte de vitamina C, que é fundamental para a construção e manutenção de colágeno, substância que estrutura a pele e cabelo. Um apenas uma xícara de couve cozida há mais de 50% das necessidades diárias de vitamina C que o nosso corpo precisa diariamente.

– Ajuda na criação de massa óssea e saúde dos ossos: Como dito antes o magnésio e o cálcio, contido no alimento, estão na medida certa para proporcionar este benefício ao organismo.

– Previne o câncer: Os vegetais da família da couve têm compostos que contêm enxofre, conhecidos como glucosinolatos. Estes compostos têm sido estudados quanto à sua capacidade para impedir a proliferação do câncer do pulmão, colorretal, da mama e da próstata em diferentes estágios de desenvolvimento. Novos estudos preliminares descobriram que glucosinolatos também podem ser eficazes contra o câncer de pele, do esôfago e pâncreas.

A couve e outros vegetais que contêm quantidades elevadas de clorofila também já se mostraram eficazes em bloquear efeitos cancerígenos

– Combate o diabetes: Estudos já mostraram que pacientes com diabetes tipo 1 que consomem dietas ricas em fibras têm níveis de glicose mais baixos que os demais. Para os diabéticos tipo 2, tal dieta pode melhorar os níveis de lipídios e de insulina no sangue.

A couve também contém um antioxidante conhecido como o ácido alfa lipóico, que tem demonstrado capacidade em diminuir os níveis de glucose e aumentar a sensibilidade à insulina, impedindo alterações oxidativas induzidas pelo stress em pacientes com diabetes.

– Melhora o humor e auxilia no sono: O magnésio da couve é fundamental para a formação e o bom funcionamento dos nossos neurotransmissores, os quais são responsáveis por manter nosso bom humor.

A colina, presente na couve, é um nutriente que faz parte do complexo B de vitaminas e tem um papel importante na manutenção do sono, no movimento muscular, na aprendizagem e na memória. A colina também ajuda a manter a estrutura das membranas celulares, auxilia na transmissão dos impulsos nervosos, auxilia a absorção de gordura e reduz inflamações.

Ela também pode ajudar a prevenir a depressão e ajudar a promover a produção dos hormônios serotonina, dopamina e norepinefrina, hormônios que dão a sensação de bem-estar, que regulam o humor, a vontade de dormir e o apetite.

– Auxilia na gravidez: O ácido fólico é uma vitamina cuja função principal é produzir novas células. A necessidade diária de ácido fólico é de 400 microgramas para adultos e de 600 a 800 microgramas para mulheres grávidas. Uma porção de um copo de couve cozida contém 177 microgramas deste nutriente.

O ácido fólico serve para manter o sistema nervoso saudável e ajuda a fechar o tubo neural dos bebês durante o período de formação. De acordo com médicos pesquisadores, a vitamina também pode reduzir o risco de defeitos cardíacos e lábio leporino em bebês.