Como lidar com restrições alimentares na idade adulta

E se, em algum momento da vida adulta, você descobrisse que não pode mais comer aquele alimento que tanto gosta, por questões de saúde? Não é fácil, mas é possível aprender como lidar com restrições alimentares na idade adulta e se adaptar de maneira mais leve.

A descoberta de alguma desordem que implique em restrição alimentar costuma ocorrer depois de muito tempo de sofrimento, convivendo com os efeitos que o alimento, agora proibido, causa no corpo. É possível ressignificar e superar a dor que o diagnóstico de restrição alimentar pode trazer.

Além do choque inicial do diagnóstico de restrição alimentar (que, de certa forma é um alívio, por saber o que está fazendo mal), há de se encarar a realidade. Difícil acreditar que aquele alimento que a gente ama pode nos fazer tão mal! Especialmente quando os alimentos trazem boas recordações ou fazem parte da rotina de alimentação. Quando essa restrição precisa ser seguida por tempo indeterminado, ou até mesmo pro resto da vida.

Leia também: Alergia à proteína do leite de vaca – (ALV ou APLV)

Leia também: Intolerância à lactose a incapacidade de digerir o açúcar do leite

Há inúmeras condições físicas que podem culminar em algum tipo de restrição alimentar, e isso pode ocorrer em qualquer fase da vida, inclusive na fase adulta. Quando isso ocorre é necessário fazer mudanças significativas (às vezes radicais) em nossa rotina. É claro que muitas pessoas passam por um longo período de negação e continuam a consumir os alimentos proibidos. Isso causa um sofrimento ainda maior – físico, por maltratar o organismo, e psicológico, por saber que não pode mais comer aquele alimento.

A formação do paladar

O nosso corpo é uma máquina fantástica. O que pouca gente sabe é o seguinte: nosso paladar começa a ser formado no útero da nossa mãe. Isso mesmo, as papilas gustativas começam a se desenvolver a partir da sétima e oitava semana de gestação. Os sabores doce, salgado, amargo e ácido são sentidos por meio do líquido amniótico e chegam até o útero através da circulação sanguínea da gestante.

Além do contato com os sabores, o feto também percebe as mudanças de humor da mãe, através dos hormônios que passam pela placenta e, após o nascimento, seguimos experimentando sabores. O leite materno muda de sabor, dependendo do que a mãe consuma. A nossa avó faz aquela comidinha que tanto amamos, como demonstração de carinho. Celebramos momentos da nossa vida com comida. A gente sente o cheiro vindo do forno e dá até aquele quentinho no coração. Estes são alguns motivos que ilustram por que é tão difícil encarar uma mudança brusca na alimentação.

Não é o fim de tudo

Você não precisa jogar fora tudo o que viveu até aqui, guarde suas memórias com carinho. Há um caminho totalmente novo a ser explorado a partir do momento da descoberta da necessidade de restrição alimentar, inclusive na fase adulta, porém cada um tem seu tempo nesse processo de redescoberta. 

Compreenda seus sentimentos, acolha-os, converse com outras pessoas que passam pelo mesmo que você. Você não está só! Se ficar muito difícil a caminhada, peça ajuda profissional.

Você terá a oportunidade de experimentar sabores e texturas novos. Vai descobrir que existem várias outras maneiras de fazer um bolo, uma sobremesa bem gostosa, sem nem se lembrar que possui alguma restrição alimentar. Acredite: essa nova etapa da sua vida vai trazer sabores surpreendentes, nunca antes provados! É possível readequar a rotina e até mesmo adquirir hábitos mais saudáveis e prazerosos do que antes.