Colesterol é sim essencial para o nosso organismo

Visto como “vilão” e muitas vezes eliminado pelas dietas mais radicais, o que poucos sabem é que o colesterol é sim essencial para o nosso organismo, pois ele tem funções eficazes. “O colesterol é importante, por exemplo, na formação dos hormônios sexuais, ele é fundamental na constituição do nosso sistema nervoso central, na formação dos neurônios. Só que o colesterol em excesso, é também responsável por uma série de doenças, principalmente as cardiovasculares”, explica André Telis, médico cardiologista do Hospital Universitário da Universidade Federal da Paraíba e vinculado à Rede Ebserh.

O que é o colesterol?

O que chamamos normalmente de colesterol é, na verdade, a soma de diferentes tipos de colesterol (LDL-Low density lipoprotein, HDL-High density lipoprotein e VLDL-Very low density lipoprotein). Alguns deles, quando estão em níveis mais altos, podem formar uma placa nas paredes das artérias e dificultar ou impedir a passagem do sangue, com isso, causando inúmeras doenças, principalmente doença coronariana, a forma mais comum da doença cardíaca.

O colesterol é um tipo de gordura (lipídios) presente na estrutura das membranas celulares, fundamental para o bom funcionamento do nosso organismo e está presente no fígado, nervos, coração, intestinos, pele, cérebro e músculos.

O nosso organismo produz no fígado, cerca de 70% de todo colesterol, e o que ingerimos, através da alimentação é responsável pelos outros 30%. A maior parte do colesterol produzido pelo nosso corpo é usado para originar alguns hormônios (vitamina D, cortisol, estrógeno, testosterona e ácidos biliares, estes possuem um papel importante na digestão das gorduras).

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Quando consumimos alimentos com alto teor de gordura, o fígado produz mais colesterol do que o necessário e isso ocasiona a alteração do nível normal para um que não é saudável. Lembrando, que tanto as altas taxas de colesterol quanto as muito baixas são prejudiciais para a saúde, por isso é importante ter seu colesterol testado para que você possa conhecer seus níveis e controla-los.

Os tipos de colesterol

Existem três tipos de colesterol, que são diferentes frações do colesterol total.

– Colesterol LDL: O colesterol LDL é uma lipoproteína de baixa densidade, conhecido popularmente como colesterol “ruim”. Essa fração do colesterol total se acumula nas paredes das artérias sanguíneas, e quando seus níveis estão elevados também aumenta o risco de desenvolver doenças coronárias, como por exemplo a insuficiência arterial, infarto do miocárdio ou derrame cerebral.

Os níveis adequados do colesterol LDL em pessoas saudáveis deverão estar abaixo dos 130 mg/dL sangue e para as pessoas que apresentam algum quadro de risco os níveis não deverão ultrapassar os 70 mg/dL.

– Colesterol HDL: O colesterol HDL é uma lipoproteína de alta densidade, conhecido popularmente como colesterol “bom” que nos protege do LDL (colesterol “ruim”). Essa fração do colesterol total possui como principal função extrair o colesterol LDL das artérias e lavá-lo até o fígado onde ele será quebrado e excretado posteriormente.

Por isso, quanto maiores forem os níveis de HDL, menor será o risco de contrair doenças cardiovasculares. Os níveis adequados de colesterol HDL devem ser superiores a 40 mg/dL de sangue.

– Colesterol VLDL: O Colesterol VLDL é uma lipoproteínas de muita baixa densidade, produzido no fígado e tem como sua principal função transportar os triglicerídeos pela corrente sanguínea. Essa fração do colesterol total está diretamente ligado à quantidade de triglicérides e os seus níveis são diretamente influenciados pela dieta que fazemos.

Os valores considerados normais devem ser estar em torno de 200mg/dL, ligeiramente altos quando estão entre 200 e 239 mg/dL e altos quando estão acima de 240 mg/dL.

Sintomas do colesterol

O colesterol total alto não apresenta nenhum sintoma específico, por isso é importante ficar atento e realizar o exame de sangue para medir periodicamente os níveis de colesterol total.

Esse cuidado deve ser adotado principalmente pelas pessoas que estejam acima do peso ideal, com uma alimentação desregulada, consumo exagerado de gorduras e/ou são sedentárias.

Apesar de ser silenciosa, quando os níveis de colesterol total estão muito altos, pode causar doenças como agnina pectoris e infarto agudo do miocárdio que causam sintomas como: dor no peito, falta de ar e palpitação.

Para as pessoas com diabetes, os cuidados com a alimentação devem ser redobrados. Elas apresentam de três a quatros vezes mais riscos do que as pessoas não-diabéticas de adquirir aterosclerose. Aterosclerose é a formação de placas de gordura e tecido fibroso nas paredes internas das artérias, o que causa obstruções que impedem o fluxo sanguíneo, a principal causa de infartos, acidentes vasculares e doença arterial periférica.

Inserir alguns alimentos na dieta e praticar atividade físicas é de extrema importância para que as pessoas com diabetes reduzam os níveis de colesterol total no sangue.

O que é exame de colesterol total e frações?

É possível que você tenha taxas altas de colesterol e nem saiba. O aumento acontece ao longo dos anos sem qualquer sintoma. Um dia, sem aviso, você pode sofrer um ataque cardíaco. Para evitar que isso aconteça, é preciso manter os níveis de colesterol no sangue sempre controlados.

O colesterol total é a soma das várias frações de colesterol, ou seja, a união do colesterol LDL, HDL e VLDL. O exame de colesterol total, também chamado de painel ou perfil lipídico, mostra os níveis de colesterol e triglicérides na corrente sanguínea.

Os pacientes que apresentam maiores riscos para doenças cardiovasculares, fazem acompanhamento com dieta e medicamentos para o controle dos níveis de colesterol e/ou apresentam risco de ter hipercolesterolemia, por isso devem realizar o exame regularmente.

Para diagnosticar a hipercolesterolemia, que é o aumento da concentração de colesterol no sangue, deve ser feito o exame de colesterol total e frações, que nada mais é que a medição dos níveis de cada tipo de colesterol isoladamente. A detecção precoce da doença pode prevenir doenças como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC).

Altos níveis de colesterol geralmente não causam sintomas, por isso é importante fazer o controle regularmente. O valor de referência desejável para o colesterol total é abaixo de 190 mg/dL. Quando há o aumento desses níveis, ocorre a dislipidemia.

A médica Ana Cristina Belsito, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia explica que, apesar de os cardiologistas serem os principais profissionais responsáveis por acompanhar pacientes com colesterol alto, a endocrinologia também faz o acompanhamento da dislipidemia, por se tratar de uma doença metabólica.

Fatores de risco

Existem fatores que colaboram para o aumento do colesterol, são eles: hipertensão, tabagismo, diabetes, doença cardíaca pré-existente, histórico familiar de doença cardíaca, infarto anterior, idade (homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos), consumo excessivo de alimentos ricos em colesterol, gordura saturada e gordura trans, obesidade e sobrepeso.

Formas de prevenção

A dupla hábitos alimentares saudáveis e prática regular de exercícios físicos são nossa primeira ‘linha de defesa’, sendo capaz de manter as taxas de colesterol “bom” (HDL) e “ruim” (LDL) em perfeito equilíbrio, afastando de perto o risco de infarto, derrame cerebral e outras doenças.

Quem sofre com o problema sabe bem que a solução para este mal não está nas pílulas. Mesmo que você siga à risca os horários e as doses dos remédios, sem controlar a alimentação, as taxas de colesterol jamais entrarão nos eixos.

Os principais passos para controlar os níveis de colesterol total são:

– Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.

– Evitar a obesidade e o sobrepeso.

– Reduzir o consumo de açúcares simples.

– Reduzir o consumo de carboidratos.

– Praticar exercícios físicos com uma frequência de pelo menos três a cinco vezes por semana.

– Consumir gorduras poli-insaturadas ricas em ômega-3.

O uso de remédios para o controle do colesterol total só é recomendado quando estas medidas não são suficientes e quando há indicação do médico especialista.