Colágeno entenda melhor esta proteína

O colágeno é uma proteína abundante no nosso corpo, formada por uma sequência de três aminoácidos (glicina, prolina e hidroxiprolina ou hidroxilisina). Com as matérias-primas necessárias, ela é sintetizada naturalmente pelo organismo. Para isso, além dos aminoácidos, precisamos de vitamina C, vitamina A, zinco e cobre, entre outros nutrientes. Ou seja usufruir corretamente dos benefícios dessa proteína não é tão simples como se pensa. Nós, do Nutrição & Prazer, vamos ajudar para que você entenda melhor esta proteína, quais os tipos de colágeno, qual a necessidade, como funciona a suplementação e como potencializar seus resultados.

O colágeno tem funções muito importantes no organismo. Suas fibras agem como uma espécie de “cola”, auxiliando na coesão de tecidos e órgãos em geral. Já para pele, ossos, cartilagens, tendões e ligamentos, o colágeno fornece hidratação, resistência, elasticidade e flexibilidade.

Os diferentes tipos de colágeno

A família do colágeno representa cerca de 35% do total de proteínas em nosso corpo. Na pele, são formadas principalmente por colágeno tipo I (85%) e III (15%). Porém, há 28 tipos de colágeno. Confira abaixo os quatro tipos mais conhecidos.

– Colágeno tipo I: É o mais abundante e é encontrado na pele, tendões, ossos e dentes. Apresenta-se sob a forma de fibras grossas, sendo o mais resistente a tensões.

– Colágeno tipo II: É encontrado nas cartilagens. Associa-se a outras células da matriz extracelular, ligando-se fortemente à água, por exemplo. Ele funciona como uma esponja, cedendo água quando pressionado e voltando à forma primitiva quando a pressão cessa. Funciona como uma espécie de mola, que permite ao joelho, por exemplo, aguentar o peso do corpo.

– Colágeno tipo III: É comumente encontrado nas artérias, no músculo dos intestinos e do útero e em órgãos como o fígado, o baço e os rins. As fibras deste tipo de colágeno apresentam certa elasticidade, e por isto são sempre encontradas em órgãos de forma variável.

– Colágeno tipo IV: É formado por moléculas de colágeno que não se associam em fibrilas. Elas se prendem umas nas outras pelas extremidades e formam uma rede semelhante a uma tela de arame. Ao se associar a moléculas não fibrosas da matriz extracelular, formam uma membrana que age como um filtro.

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A gelatina pode repor o colágeno?

É muito comum pessoas consumirem gelatinas para suprir a necessidade de colágeno, porém não é apenas consumindo uma gelatina industrializada, das vendidas comumente em mercados, repleta de corantes artificiais, açúcares, adoçantes, conservantes e aromatizantes, que seu corpo estará absorvendo este nutriente. Além de não ser nem um pouco saudável, a quantidade de colágeno nesse tipo de gelatina é extremamente baixa (em torno de 1g a cada 120g), o que não têm praticamente nenhum efeito.

Uma melhor opção é consumir a gelatina ‘sem sabor’ adicionada de frutas ou suco das mesmas, para ter uma sobremesa mais saudável com alguma carga de nutrientes. Outra opção é consumir a agar-agar em pó, que é uma gelatina vegetal de algas marinhas, encontrada em casas de produtos naturais, muito usada por vegetarianos e veganos, que trás uma série de outros benefícios para nosso organismo.

Mas para repor o colágeno o melhor é optar por suplementos alimentares, porém, mesmo assim, há a necessidade de complementar com outros nutrientes, como a vitamina C, para melhorar o estímulo do colágeno no organismo. Ou seja, tomar colágeno por si só não é o suficiente para os benefícios que a maioria das pessoas almejam.

Suplementação com colágeno funciona?

– Suplemento de colágeno hidrolisado: Historicamente, sempre houve dificuldade em suplementar o colágeno por via oral. Pesquisas mostravam que a efetiva absorção desta proteína era mínima, não ajudando a repor a substância na pele. Mas a suplementação também vem evoluindo. Com o processo de hidrólise – quebra do colágeno – em cadeias menores, conseguiu-se uma melhoria na absorção. No entanto, o resultado final ainda era abaixo do esperado.

Posteriormente, descobriu-se que a adição controlada de enzimas era capaz de quebrar as cadeias do colágeno já hidrolisado em partículas ainda menores, chamadas peptídeos, facilitando ainda mais sua absorção pelo organismo. Esta melhoria foi percebida em pesquisas, que apontam mais de 90% de absorção dos peptídeos de colágeno no período de 6 horas após a ingestão, o que possibilita para o nosso corpo a disponibilidade dos aminoácidos.

– Suplemento com os precursores do colágeno: Os precursores de colágeno surgiram principalmente para atender a necessidade do público vegano pela suplementação. Com produtos formulados com aminoácidos, vitaminas e minerais, o corpo tem as matérias-primas necessárias para criar o colágeno naturalmente de que necessita.

Além disso, um suplemento pró-colágeno pode conter outros ingredientes importantes para a saúde dos tecidos. Entre eles, estão o ácido hialurônico (sustentação, preenchimento e hidratação), os carotenóides (antioxidante, anti-inflamatório e estimulante da produção de melanina), o chá verde (antioxidante) e o ácido ortosilícico (formação estrutural da pele).

Qual a necessidade de suplementar?

Se a alimentação adequada já fornece a quantidade certa de aminoácidos para formação do colágeno, então qual a necessidade de suplementação?

Embora a suplementação de colágeno é geralmente segura, sem eventos adversos relatados, é importante ressaltar que apenas um especialista deve prescrever a suplementação adequada para cada paciente analisando sua saúde e suas necessidades fisiológicas específicas. A suplementação só é necessária nos casos de alimentação inadequada ou outros fatores mais específicos, entenda alguns deles:

– Estilo de vida: Com o avançar da idade, a produção de colágeno diminui naturalmente em cerca de 1,5% ao ano e as fibras tornam-se mais espessas e curtas, resultando em perda de tipo I e desequilíbrio na proporção entre os tipos. Esse desgaste é potencializado pelo estilo de vida: excesso de sol, poluição, tabagismo, álcool, vida estressante são alguns dos comportamentos que ajudam a diminuir a produção desta proteína.

– Diminuição da elasticidade da pele: A densidade do colágeno e da elastina na derme também diminui. Portanto, a estrutura e elasticidade da pele tornam-se mais finas e rígidas. Além disso, ocorre a perda de ácido hialurônico, que resulta em diminuição da umidade e flexibilidade da pele. Todas essas alterações reduzem a firmeza da pele e desalinham os contornos faciais, o que resulta em linhas de expressão e sulcos agravados pela força da gravidade.

– Excesso de oxidantes no organismo: Outro fator é a redução no poder do sistema antioxidante do organismo com o passar dos anos. Isso leva ao acúmulo de compostos oxidantes dentro de nossas células. Estes compostos são os famosos radicais livres. Eles são capazes de quebrar as proteínas de colágeno, alterar o ciclo de renovação da pele, danificar o DNA e promover a liberação de citocinas inflamatórias, os principais gatilhos na geração de alterações inflamatórias da pele.

– Desgaste das articulações: A cartilagem presente na extremidade dos ossos é constituída por, aproximadamente, 60% de colágeno tipo II. Por razões multifatoriais como inflamação crônica, fraqueza muscular, envelhecimento natural, exercícios de impacto, sobrepeso ou obesidade, as articulações se desgastam. Este desgaste, conhecido como artrose, pode gerar um processo de inflamação e dor. Hoje, estima-se que cerca da metade da população com mais de 50 anos seja acometida por essa degeneração.

Estudos mostram que a suplementação com colágeno tipo II pode reduzir a secreção de enzimas que atacam as cartilagens, melhorando o quadro inflamatório. A função terapêutica mais conhecida da suplementação com colágeno tipo II é o alívio nos sintomas de dor, porém pesquisas também apontam para um potencial aumento da densidade óssea e um efeito protetor da cartilagem articular.

A suplementação via oral com colágeno é, ainda, bastante polêmica. Muitas pessoas têm dúvidas quanto a sua eficácia. A médica Nutróloga, professora e responsável pelo departamento de Nutracêuticos da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), Dra. Marcella Garcez Duarte, esclarece que a suplementação com colágeno é sim benéfica e tem comprovações científicas.

Qual o melhor horário para a suplementação

Os colágenos devem ser consumidos longe de outras refeições, diluído em água ou suco de frutas cítricas, que são ricas em vitamina C, o que ajuda na absorção. Por isso, recomenda-se a ingestão logo pela manhã em jejum, ou à noite, antes de dormir.

Estudos também indicam que a produção interna pode ser impulsionada pela presença de GH (hormônio do crescimento) na corrente sanguínea, e no período noturno é quando nosso corpo produz o GH em maior quantidade.

Fontes: ABRAN-Associação Brasileira de Nutrologia; Essential Nutricion; Dra. Renata Fetter