Carne de laboratório e insetos desafiando proteínas vegetais

Muitas questões estão sendo levantadas ultimamente sobre o mapa da fome no mundo, e esta talvez seja a principal preocupação nos dias de hoje. Desperdício de alimento, perdas em produtividade, poluição e deficiência nutricional são alguns dos aspectos questionados por todos aqueles que se preocupam com o futuro da alimentação da raça humana e com o futuro do planeta. A carne de laboratório e até insetos têm tudo para parar no seu prato, desafiando as proteínas vegetais cada vez mais populares, aposta a Fitch Solutions (uma das três maiores agências de classificação de risco de crédito mundial).

Alternativas de proteínas baseadas em insetos estão sendo desenvolvidas, sendo o preço o principal obstáculo para que elas não entrem no mercado de massa, informou a empresa de pesquisa. A carne de laboratório também permite cortes de carne, que são mais difíceis de sintetizar na versão à base de plantas.

“Eles oferecem uma solução para a sustentabilidade alimentar e para preocupações ambientais”, escreveu a Fitch Solutions em relatório divulgado em 19 de dezembro. E ao contrário das alternativas baseadas em plantas, “não precisam sintetizar sabor e textura porque são carne”.

As americanas Beyond Meat e Impossible Burger estão fazendo sucesso no segmento de carne falsa e mais e mais negócios tentam se posicionar diante das preocupações dos consumidores com saúde, meio ambiente e bem-estar animal.

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O uso de ingredientes transgênicos em alguns produtos vegetais pode causar reações negativas e a maior concentração de sal é outra preocupação em alguns casos, segundo a Fitch Solutions. A firma vê a possibilidade de aceleração das fusões e aquisições no ramo à médio prazo.

A carne de laboratório ou carne cultivada

Basicamente este tipo de carne é feita tomando uma amostra muscular de um animal. Em seguida os técnicos coletam células-tronco do tecido e as multiplicam de modo intenso, permitindo que elas se diferenciem em fibras primitivas que então se acumulam para formar o tecido muscular. 

Importante ressaltar que a carne de laboratório é bem diferente das carnes baseadas em plantas, inclusive, ao contrário da carne cultivada, que ainda não é produzida em escala comercial, as carnes baseadas em plantas já tem sido comercializadas. Aqui no site do Nutrição & Prazer constantemente publicamos alguns lançamentos da indústria alimentícia brasileira baseados nessa tecnologia (confira na seção novidades).

Embora o custo da produção de carne cultivada ainda seja extremamente alto, não caracteriza um problema futuro, pois, com o passar dos anos esse custo tende a ser reduzido drasticamente.

Outro detalhe importante, para receber a aprovação do mercado, é o fato de que a carne cultivada terá que ser segura para os consumidores. Embora não haja razão para pensar que a carne produzida em laboratório represente um perigo à saúde, a FDA (Food and Drug Administration, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) está apenas começando a considerar como ela deve ser regulamentada.

Enquanto isso, uma das principais questões está relacionada a rotulagem. Os produtos gerados em laboratório não devem ser rotulados como carne e, pesquisas mostram que, atualmente, o público tem apenas um tímido interesse em consumir esse tipo de carne.

Insetos e a alimentação humana

Insetos já fazem parte da dieta em alguns países e há um grande potencial de expansão. “Vimos o lançamento de produtos de insetos em países onde tradicionalmente não são consumidos, especialmente no segmento de salgadinhos”, informou a Fitch Solutions.

Por serem o grupo de maior abundância sob a face da Terra, os insetos estão presentes em todos os ambientes onde se produz alimento. De uma maneira ou de outra, estes pequenos organismos já estão envolvidos na produção de alimentos, vegetal ou animal.

Se por um lado os insetos diminuem a produção de alimento com a transmissão de doenças e pelo próprio consumo de vegetais, por outro lado a entomofagia (consumo destes organismos) pode ser uma alternativa viável para suprir algumas necessidades nutricionais, podendo ser a chave para a erradicação da fome, como mostrou estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), uma das agências da ONU.

O valor nutricional dos insetos chega a ser tão variado quanto à diversidade de espécies existentes nesta classe de organismos. Por este motivo é difícil se comparar os teores nutricionais entre insetos comestíveis com os alimentos comumente consumidos hoje em dia pelo ser humano. Mas, de uma forma geral, os insetos são consideravelmente mais nutritivos do que as outras fontes de alimento, tanto animal, como vegetal.

Além de excelente fonte de proteína, os insetos possuem também um elevado teor nutricional. Muitas espécies possuem uma quantidade de vitamina D elevada, bem como a vitamina B2, vitamina C e Omega-3. Como podemos observar, esta é uma excelente fonte nutricional, superando os alimentos convencionais como carne bovina, suína e até mesmo os peixes.

Mesmo com os aspectos culturais e falta de divulgação, estes são uma boa fonte para a alimentação humana ao redor do globo. Só para se ter uma ideia, estima-se que cerca 1500 espécies ao redor do mundo já fazem parte da dieta do ser humano. Seja consumido vivo ou desidratado, os insetos podem ser uma alternativa viável, com elevado teor nutricional e ecologicamente correto para se incluir em nossos cardápios em um futuro próximo.

Fontes: Money Times; Farm News