Algas consumidas como alimento e remédio durante séculos

As algas, hoje consideradas um super alimento, são uma das formas de vida mais primitivas encontradas na Terra e foram consumidas como alimento e remédio durante séculos. Assim como as plantas, as algas, produzem a energia necessária ao seu metabolismo através da fotossíntese, porém, possuem um estrutura mais simples. Ainda que algumas apresentem tecidos diferenciados, não possuem raízes, caules ou folhas verdadeiras e, ainda, podem ser unicelulares ou multicelulares.

As algas são subdivididas em microalgas e macroalgas. As macroalgas são vísiveis a olho nu por serem maiores. Em sua maioria são encontradas fixadas em rochas, porém podem também ser encontradas em recifes de coral, pilares de portos, cascos de barcos e raízes de mangue. Sempre em ambientes com presença de nutrientes e luz. Já as microalgas pertencentes ao fitoplâncton são as algas azuis, as algas verdes, dinoflagelados, euglenofíceas, pirrofíceas e crisofíceas.

As algas são de extrema importância para ecossistemas aquáticos, uma vez que são a base da cadeia alimentar, constituindo o fitoplâncton juntamente às cianobactérias. Além disso, elas fazem parte do ciclo do carbono e enxofre.

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O consumo humano da alga verde-azulada chamada spirulina (alga de água doce), começou com a civilização asteca no século XIX, e esta é a variedade comestível mais comumente usada em suplementos. Já as algas marinhas podem ser utilizadas em diversos alimentos, não somente no sushi ou temaki, como pensa a maioria das pessoas, mas em sopas, saladas, molhos, refogados, aumentando o valor nutricional desses alimentos.

Ainda podem ser constituintes de cremes, produtos para peelings, ceras para depilação e outros produtos cosméticos.

Todas as algas, em média, são ricas em minerais, como cálcio, ferro, magnésio, potássio, sódio e iodo, ainda podem ser consideradas ótimas fontes de proteínas, carboidratos, fibras alimentares e vitamina A, C, E, K e vitaminas do complexo B (incluindo tiamina, riboflavina, piridoxina, colina, biotina, niacina, ácido fólico, ácido pantotênico e cobalamina). Sua composição nutricional também possui ácidos graxos ômega 3, incluindo EPA, DHA, GLA e ALA,

Benefícios das algas de água doce

– Perda de peso: As algas marrons contêm um carotenóide (pigmento) natural chamado de fucoxantina que atua na queima de gordura através da termogenina, proteína responsável pela liberação de calor. Nos últimos anos, pesquisadores da Academia de Ciências Naturais de Moscou, publicaram um estudo que utilizou a fucoxantina pela primeira vez em humanos. Este estudo analisou os efeitos de um suplemento contendo algas marinhas marrons de fucoxantina e óleo de semente de romã.

Participaram do estudo 151 mulheres que tomaram 600 miligramas de extrato de fucoxantina. Além de perderem seis quilos em média, as mulheres relataram aumento no gasto energético em repouso, o que também estimula a queima de gordura e a perda de peso. E mais: elas tiveram resultados positivos na saúde incluindo diminuição da gordura no fígado, melhora na pressão sanguínea e níveis de triglicérides.

– Combate o câncer: Estudos experimentais em animais, mostraram o efeito inibitório de algas no câncer oral, enquanto um estudo em humanos mostrou sua capacidade de combater lesões bucais pré-cancerosas conhecidas como leucoplasia oral.

Estes resultados de pesquisa publicados na Nutrition and Cancer mostraram que tomar um grama da alga spirulina (Spirulina fusiformis) diariamente por via oral durante 12 meses reduziu de lesões na boca em pessoas que mascavam tabaco. Este foi o primeiro estudo humano mostrando o potencial da Spirulina fusiformis.

Além disso um estudo da Universidade de Yangzhou, na China, sugere seu uso como um possível complemento para a terapia do câncer: a spirulina parece ter uma capacidade de proteção do rádio, o que significa que ele pode proteger contra os efeitos do tratamento com radiação prejudiciais à saúde.

– Reduz o colesterol: Um estudo publicado no “Journal of the Science of Food and Agriculture” revela que o fucosterol é um esterol de algas que pode ser isolado. Entre os benefícios para a saúde, ele tem a capacidade de reduzir o colesterol naturalmente. Isso porque os fitoesteróis ajudam a diminuir a absorção do colesterol intestinal. Este estudo foi feito por pesquisadores da Universidade de Washington (EUA).

Além disso, a spirulina (alga azul-esverdeada) é rica em ácidos graxos como GLA, aminoácidos e antioxidantes. Um estudo da Universidade de Baroda, na Índia, publicado no “Journal of Medicinal Food”, mostrou como a spirulina pode ajudar a reduzir o aumento dos níveis de gorduras no sangue em pessoas com síndrome nefrótica de hiperlipidemia (doença que causa altos níveis de partículas de gordura – lipídios –  no sangue).

Benefícios das algas marinhas

– Auxilia o tratamento de inflamações e dores: Em geral, as algas contêm compostos anti-inflamatórios, como ácidos graxos ômega 3 e clorofila. Um estudo da Universidade de Dublin, na Irlanda,  analisou a variedade vermelha de alga, que é conhecida por ser uma fonte rica e natural de compostos que possuem propriedades biológicas e farmacológicas, incluindo atividades anti-inflamatórias, analgésicas e gastroprotetoras.

Outro estudo, da Universidade de Busan, na Coréia, mostrou que outro tipo de alga marinha, chamada Pyropia yezoensis, tem alta concentração de proteínas, o que a torna uma excelente fonte de peptídeos biologicamente ativos podendo agir como um potente anti-inflamatório.

– Possui função detox: A chlorella é um tipo de alga verde que age como um quelante natural para remover metais pesados do corpo. Ela pode envolver toxinas que residem em nossos corpos, como chumbo, cádmio, mercúrio e urânio, e impedir que elas sejam reabsorvidas.

Altos níveis de exposição a 23 metais ambientais considerados “metais pesados”, como chumbo, mercúrio, alumínio e arsênico, podem causar toxicidade aguda ou crônica. Isso pode resultar em danos ou redução da função nervosa central e mental, além de danos aos órgãos vitais. A exposição a longo prazo pode levar a processos degenerativos físicos, musculares e neurológicos mais sérios.

O consumo regular de chlorella foi indicado para evitar que os metais pesados se acumulem nos tecidos moles de nossos corpos e órgãos. Um estudo do Departamento de Ciências e Nutrição da Universidade da Coréia, revelou os efeitos da ingestão de chlorella no metabolismo do cádmio em animais. Os pesquisadores descobriram que, quando as cobaias foram expostas ao cádmio de metais pesados, a chlorella foi capaz de neutralizar o envenenamento por metais pesados e diminuir os danos nos tecidos, diminuindo a absorção de cádmio.

– Ajuda na proliferação de células tronco: Nos adultos, as células-tronco são encontradas em todo o corpo. Eles se dividem para substituir as células que estão morrendo e as que estão danificadas. À medida que envelhecemos, as células-tronco também envelhecem e têm uma capacidade regenerativa diminuída, o que contribui para o processo de envelhecimento.

O Departamento de Neurocirurgia de Tampa (Flórida, EUA), investigou os efeitos de extratos de algas verde-azuladas em células-tronco humanas em culturas. Os resultados preliminares mostram que um extrato destas algas pode ajudar a promover a proliferação de células-tronco humanas.

– Auxilia na saúde da gestante e do feto: O feto é totalmente dependente da nutrição materna para crescimento e desenvolvimento, portanto este é um aspecto de extrema importância. Dessa forma, se a mãe receber uma alimentação com um aporte adequado de ácidos graxos poli-insaturados, poderá oferecer ao feto a quantidade necessária desses ácidos para um bom desenvolvimento do sistema nervoso e visual, tempo de gestação, aspectos nutricionais do recém-nascido, imunidade, entre outros.

E parece que a ingestão de peixes pode não ser suficiente para aumentar o DHA materno para que estes efeitos benéficos ocorram. Assim, o conjunto das evidências indica a suplementação de toda gestante, especialmente no último trimestre de gestação, de DHA e as doses variam, mesmo considerando-se apenas os estudos de melhor qualidade, entre 200 e 600 mg por dia, preferencialmente com DHA de fonte segura.

A dieta materna, antes da concepção, é de grande importância, pois determina o tipo de ácido graxo que se acumulará no tecido fetal. O transporte dos ácidos graxos essenciais é realizado através da placenta e são depositados no cérebro e retina do concepto, e este depósito ocorre principalmente no último trimestre de gestação. Neste trimestre, o feto retira um total de 50 a 75 mg de LCPUFA da mãe, sendo a maioria DHA.

O DHA é preferencialmente incorporado na composição cerebral e retiniana no último trimestre da gestação e nos dois primeiros anos de vida e é considerado essencial para a função cerebral normal, sendo o principal ácido graxo presente na substância cinzenta do cérebro.

A Schizochytrium sp. é uma microalga que contém óleo rico em ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs). O DHA n-3 (Ácido Docosahexaenoico) é o mais abundante componente deste óleo e é utilizado como um ingrediente nutricional na alimentação. Sendo assim, a suplementação, quando indicada, tem sido preferencialmente feita com DHA produzido a partir do cultivo de algas, como a Schizochytrium sp.

– Auxilia no desenvolvimento infantil: Os ácidos graxos poliinsaturados são nutrientes essenciais para os humanos. Eles são componentes estruturais e funcionais das membranas das células e precursores de funções hormonais e imunológicas. Estudos sugerem que a dieta ou a suplementação com deficiência de DHA tem efeito não apenas no desempenho escolar, mas também na probabilidade futura de dificuldade de atenção e hiperatividade das crianças.

Esses resultados podem indicar que mudanças sutis, em diferentes áreas da cognição, podem ter um efeito sinérgico e fazer diferença no aprendizado infantil de forma significativa.