Água essencial para a vida

A água é essencial para a vida, pois, apesar dos seres humanos conseguirem sobreviver por algumas semanas sem comida, é impossível sobreviver sem água por mais que poucos dias. Ela constitui a maior parte do peso do nosso corpo, podendo variar de 45 a 75% deste peso, a depender da idade e sexo, sendo considerado em média 60% para adultos. A ingestão de água é fundamental para se atingir as necessidades diárias. Assim, é possível consumi-la bebendo água ou por meio da ingestão indireta, ou seja, ingerindo alimentos que contenham água em sua composição.

A quantidade de água que se deve beber varia muito de acordo com as condições do indivíduo e do ambiente. Se a pessoa está saudável ou doente, qual a idade, sexo, se esta grávida, se faz calor, se está praticando exercícios, tudo isso influencia na perda de líquidos e no volume de água a ser ingerido. A recomendação geral, se você está saudável, basicamente é beber água quando estiver com um pouco de sede.

Leia também: Pepino um vegetal rico em água

Leia também: O quanto o coco contribui para nossa saúde

O papel da água no organismo

A água participa de diversas funções do nosso organismo. Primeiramente, ela é o componente fundamental para a formação dos líquidos corporais. Ou seja, ela está presente de modo essencial na saliva (que ajuda na digestão dos alimentos), no líquido sinovial (líquido transparente e viscoso das cavidades articulares e bainhas dos tendões), no humor vítreo e nas lágrimas (que preenchem e lubrificam os olhos, respectivamente), no liquor (que circunda o sistema nervoso central), na produção da urina pelos rins e no sangue, permitindo a ele fluidez e perfusão dos órgãos e tecidos.

Dentre outras funções da água, é importante citar a manutenção da temperatura corporal por meio do suor e da absorção do calor produzido pelos processos metabólicos, além de participar da absorção e transporte de nutrientes e outros produtos do metabolismo através do plasma.

Para que estes processos fiquem mais claros, vamos resumi-los:

– Função estrutural e amortecedora: Todas as células precisam de água para sua estrutura e funcionamento. A água amortece impactos durante a deambulação e protege o feto dentro do útero, por meio do líquido amniótico.

– Função lubrificante: Componente dos fluidos, como por exemplo saliva, líquido sinovial, secreções e sangue.

– Solvente e meio para reações químicas: Na água estão dissolvidos eletrólitos, como sódio, cálcio, magnésio; nutrientes como carboidratos, proteínas etc. A água é um meio fundamental para as reações físico-químicas que acontecem no organismo. Essas reações são importantes por exemplo para transformar energia, contração muscular, secreção hormonal, etc.

– Transporte e circulação sanguínea: Transporta nutrientes para as células e remove os metabólitos produzidos por elas. A água permite que o sangue seja fluido e chegue a todos os órgãos.

– Termorregulação: Auxilia na manutenção da temperatura corporal. Em ambientes e situações quentes, a transpiração favorece a perda de calor.

Balanço hídrico

O balanço hídrico pode ser definido como a diferença entre a água que entra no organismo (por meio da ingestão de água, bebidas e alimentos), e a água produzida pelo metabolismo, menos o total de água perdido através dos diversos mecanismos corporais, como transpiração, entre outros.

A água presente nas comidas é extremamente variável, sendo em torno de 80% da composição de sopas, frutas e vegetais, 40 a 70% das refeições quentes, 30% dos produtos derivados de cereais (como pães e biscoitos) e 10% de salgadinho e de produtos relacionados a confeitaria. Pode ser obtida também através de todas as bebidas ingeridas, fazendo parte de cerca de 90% ou mais da composição destas, como sucos, chás, iogurtes, leite e café, além do próprio consumo de água. As bebidas alcoólicas contém água, porém, devido ao seu efeito diurético, elas podem levar a perdas importantes e consequentemente balanço hídrico negativo.

Toda água ingerida através de alimentos sólidos ou líquidos é digerida e absorvida pelo trato gastrointestinal, sendo depois distribuída nos espaços corporais.

Os rins são órgãos fundamentais para o controle do balanço hídrico. A magnitude desse controle é dimensionada pelo conhecimento de que os rins filtram em torno de 180 litros de fluidos em 24 horas, eliminando porém apenas 1% disto. A urina é o principal meio pelo qual ocorre perda de água no nosso corpo e a quantidade produzida é bastante variável e dependente de diversos fatores, como por exemplo, a quantidade de água ingerida no dia ou perdida através dos outros meios, como o suor. Em geral, a produção diária de urina permanece em torno de 1 a 2 litros.

Quando existe déficit de água maior que o esperado, ou seja, menor ingestão de água ou maior perda de água, ou ambos, diminui-se a quantidade de solvente. Assim, aumenta-se a concentração de solutos, o que ativa mecanismos como a sede e sistemas hormonais.

Populações com risco para desidratação

A desidratação por redução da ingestão de água é mais frequente nas populações de risco como, por exemplo, idosos, crianças, adolescentes, gestantes e mulheres que estejam amamentando.

Os idosos apresentam comprometimento dos sistemas que regulam o equilíbrio da água corporal, pois têm menos sede e maior chance de perder água e eletrólitos. Para as crianças, por apresentarem menor massa corporal, pequenas perdas já são significativas em termos de hidratação. As gestantes apresentam náuseas e vômitos, por isso podem não conseguir ingerir as quantidades adequadas de líquidos. Já as mães que estão amamentando estão constantemente perdendo mais líquidos pelo leite materno.

Sintomas e sinas de desidratação

A desidratação é uma condição complexa que se caracteriza pela redução da água corporal. Ela pode acontecer quando há redução da ingestão, ou quando há perda de água, ou associação dos dois fatores. O corpo humano apresenta mecanismos precisos para manter a água corporal. A sede é um mecanismo de defesa importante, que é ativado mesmo quando existe pequena redução de água corporal.

Não é possível falar de desidratação sem considerar as alterações do sódio. Na desidratação hipotônica, a perda de sódio é maior do que a perda de água. Na isotônica, a perda de água e a de sódio ocorrem de maneira proporcional. Já na desidratação hipertônica, a perda de água é maior do que a de sódio.

Considerando as perdas de água, diarreia aguda, vômitos, sudorese excessiva em dias quentes, exercício físico intenso, febre, hemorragia, uso de diuréticos são causas comuns. Os sintomas e sinais da desidratação vão se agravando conforme o déficit de água se intensifica.

Os sintomas e sinais da desidratação aguda variam de acordo com a intensidade do déficit de água. Um dos principais sintomas é a sede, que pode ser o único presente em casos de desidratação leve. Conforme a perda de líquidos vai se intensificando, os sintomas de boca seca, fadiga, tontura, indisposição, desatenção, ficam mais evidentes.

A perda de fluidos em torno de 2% do peso corporal já é suficiente para alterar o nível de atenção e disposição para atividades habituais. Em relação aos sinais de desidratação, destacam-se a mucosa da boca e olhos secos, olhos fundos e encovados e turgor frouxo (pouca elasticidade da pele), que significa que ao beliscar a pele, ela demora para retornar ao normal. Além disso, gradativamente pode aparecer queda da pressão arterial postural (quando a pessoa percebe certa tontura ao se levantar da posição deitada para em pé). Em seguida aparece aumento da frequência cardíaca e em casos mais graves acontece a queda da pressão arterial independentemente da postura.

Os neurônios são células altamente sensíveis às alterações de solvente (no caso, a água) no organismo e, portanto, a desidratação seguida de baixa ou alta concentração de sódio podem levar a sintomas e sinais graves, como confusão mental, sonolência, convulsões e até o coma.

Como tratar a desidratação

Para tratar uma pessoa com desidratação não é tão simples como se pensa, é fundamental a análise detalhada do quadro clínico, bem como determinar o tipo apresentado, verificando sempre o grau de perda de água e os níveis de sódio. A reidratação oral pode ser recomendada para casos leves e moderados, enquanto a reidratação por via endovenosa é recomendada em casos graves, principalmente quando a pessoa apresenta grande quantidade de vômitos.

É importante frisar que, apesar de ser bastante difundido, o uso do soro caseiro, ele só é recomendado quando a pessoa necessita de reidratação de forma urgente. Muitas pessoas fazem a dosagem errada ao preparar o soro, o que pode piorar o quadro do paciente. Hoje a recomendação é que seja usada a solução de reidratação oral distribuída nos postos de saúde e farmácias populares.