A qualidade da água ingerida diariamente no Brasil

Estimular o consumo hídrico é parte essencial da conduta do nutricionista durante o atendimento clínico. Mas o que pouco se discute entre o profissional e o paciente é a qualidade da água ingerida diariamente no Brasil, a contaminação hídrica, hormônios e agrotóxicos, e como essa escolha pode impactar a saúde a curto e a longo prazo.

Como é a qualidade da água consumida no Brasil?

A recente divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 2020, mostrou que apenas 27% da população vive em municípios onde o abastecimento de água potável é satisfatório e 31% estão em locais de baixa segurança hídrica. Ainda que 27% da população tenha acesso à água tratada, inúmeros estudos afirmam que esse tratamento químico, a base de cloro e de produtos químicos, não é considerado totalmente seguro para consumo.

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Água tratada e os contaminantes emergentes, hormônios e agrotóxicos

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos em alimentos. A pulverização dessas substâncias na agricultura não atinge apenas os alimentos, mas podem ser carregados para os recursos hídricos contaminando significativamente a água. Esta pode chegar com esses produtos químicos nas estações de tratamento e, consequentemente, pelo fato dos processos empregados nas estações de tratamento atualmente não eliminarem totalmente todos os tipos de poluentes (Machado et al., 2016), também podendo estar contaminada nas torneiras das casas dos brasileiros. Muitos trabalhos na literatura científica apontaram essa contaminação:

– Machado et al. (2016) analisaram amostras de água tratada de 22 capitais brasileiras, detectando a presença de atrazina, cafeína, triclosan e fenolftaleína.

– Faria e Rosa (2016) no Mato Grosso encontraram na água alguns fungicidas agrícolas e outros pesticidas, como carbendazim, ciproconazol, clomazone, diurom, fomesafem, imazetapir, imidacloprido, tebuconazole e tiametoxam.

– Montagner et al. (2019) realizaram análises no estado de São Paulo por 10 anos em 289 amostras de água potável e encontraram a presença de 7 contaminantes agrícolas, como atrazina, imidacloprida e clomazone.

O olhar preocupante para a qualidade da água tratada não se resume apenas aos agrotóxicos. Na mesma análise feita por Montagner et al. (2019), os pesquisadores encontraram outros componentes em grande escala nas amostras de água tratada, como hormônios, compostos industriais e substâncias ilícitas. Dentre eles, destacaram: cafeína (90%), bisfenol A (19%) e triclosan (19%).

Uma recente revisão sistemática da literatura conduzida por Zini; Gutterres (2021) avaliou os principais contaminantes encontrados na água tratada do Brasil. Os resultados mostram a presença de 77 diferentes contaminantes químicos na água potável brasileira. Cádmio, alumínio, ferro, níquel, mercúrio e atrazina foram quantificados em concentrações acima do HBT (parâmetro que avalia a potabilidade da água com base na saúde) e propionaldeído, berílio, acetona e 17 α-einil-estradiol acima de GV (valor baseado naqueles propostos pelos guidelines para água potável da Organização Mundial da Saúde).

Disruptores endócrinos e água tratada

É comprovado cientificamente que determinados contaminantes da água agem como disruptores endócrinos e podem comprometer a homeostase corporal, inclusive em períodos mais críticos como na gestação e na infância. Também conhecidos como desreguladores endócrinos, eles interferem no sistema hormonal, alterando as comunicações celulares e os mensageiros químicos dentro do corpo. Essas modificações resultam em um conjunto de efeitos deletérios à saúde, sobretudo, anormalidades sexuais e mentais em crianças e adultos.

Algumas pesquisas indicam que o uso progressivo desses componentes pelo público masculino pode levar a uma redução do número e mobilidade de espermatozoides. Outros estudos mostraram que essa exposição pode estar associada ao retardo de crescimento fetal, disfunção tireoidiana e distúrbios neurológicos em longo prazo. Dos mecanismos de ação, pode-se citar que os disruptores interferem principalmente nas vias da insulina, glicocorticóide, estrogênica e tireoidiana, provocando efeitos nas funções endócrinas e metabólicas normais, o que gera alterações no epigenoma e no estado de inflamação.

Um dos principais desreguladores endócrinos que podemos citar é o bisfenol A, substância química que mimetiza a ação do estrogênio e pode provocar esse desequilíbrio endócrino progressivo, e que foi encontrado em amostras de água tratada brasileira.

Água mineral: uma alternativa segura para consumo

Com todo contexto analisado da qualidade da água no Brasil e o impacto que o consumo frequente de contaminantes pode provocar na saúde humana, destacamos o papel da água mineral como fonte segura de hidratação na rotina dos pacientes.

A água mineral é retirada direto da natureza e envasada sem nenhum tipo de correção industrial, ou seja, é pura e natural. Além disso, por ser de origem subterrânea essa água é mais protegida desses contaminantes emergentes, garantindo uma qualidade superior de hidratação. Ainda, para garantir a segurança do consumo, elas passam por rigorosos controles de qualidade, tendo uma rígida e específica legislação que regulamenta o seu envase e sua distribuição. Outro ponto positivo, inclusive para auxiliar na ingestão hídrica diária adequada pelo paciente, é que a água mineral não tem oscilação de gosto ou sabor, diferentemente da água de torneira.

Ainda é importante ressaltar que a principal embalagem utilizada para o envase da água mineral é feita a partir de PET, um tipo de plástico 100% livre de bisfenol A, não oferecendo risco para a contaminação da água com esse disruptor endócrino.

Em entrevista para a Revista Nutri Online, Ana Elisa Bombonatto, Science & Nutrition Manager da Bonafont, uma das marcas brasileiras de água mineral referência em segurança, qualidade e leveza, quando abordada sobre como pode ser feita a conscientização do paciente, pelo nutricionista, a respeito da escolha da água mineral para a rotina, ressalta que “essa conscientização está intimamente conectada com informações precisas e confiáveis sobre as águas disponíveis para consumo hoje: água de torneira, água filtrada e água mineral. A partir do momento que o paciente descobre que existem resíduos de medicamentos, de produtos de higiene e agrotóxicos na água da torneira e entende o impacto das substancias no funcionamento do seu organismo ele com certeza vai repensar sua hidratação diária e vai encarar a escolha da água como uma afirmação da sua escolha por saúde.”

Ana Elisa Bombonatto ainda aborda sobre a importância da qualidade da fonte em que a água mineral é extraída para a saúde e como a Bonafont garante essa segurança, conta que “as águas subterrâneas são de fato mais protegidas de contaminações humanas e ambientais. Porém ainda sim é possível que haja alguma interferência, por isso a necessidade se de controlar o entorno da fonte de onde essa água mineral é extraída. Esse é um ponto crucial para Bonafont. Antes de iniciarmos a extração de água mineral de uma fonte, avaliamos o entorno da mesma e realizamos analises tanto no Brasil como na Europa de mais de 500 contaminantes, a fim de garantir a segurança e a qualidade do nosso produto. Em todas as etapas do processo de envase, são realizadas analises físico químicas, sensoriais e microbiológicas. No processo de envase dos nossos galões retornáveis, além de todos os cuidados que acabei de citar, temos um controle rigoroso da higienização dos galões, etapa crítica de todo o processo, uma vez que precisamos garantir que a embalagem está pronta e segura para receber nosso produto novamente.”

Assim, como parte da promoção de um estilo de vida saudável, a hidratação equilibrada com a escolha de uma água segura, sem contaminações e leve para todos os pacientes deve ser priorizada na orientação nutricional!

Fonte: Revista Nutri On Line