A influência da psicologia alimentar na nutrição

A maioria das pessoas foram ensinadas a acreditar que a boa nutrição é simplesmente uma questão de comer o alimento certo e tomar os suplementos certos. Claro, isso é verdade, mas há mais nesta equação, a influência da psicologia alimentar na nutrição, que é de suma importância. O que comemos é apenas metade da história de uma boa nutrição, a outra metade da história é quem somos como “comedores”. Ou seja, o que pensamos, sentimos, acreditamos, nossos níveis de estresse, relaxamento, prazer, consciência e as histórias internas que vivemos têm um efeito real, poderoso e científico no nosso metabolismo nutricional.

Assim, a boa notícia é simplesmente isso: você pode mudar poderosamente seu metabolismo e seu estado nutricional sem alterar nada que você come, mas mudando você internamente, seus hábitos e atitudes.

Conheça alguns conceitos de como a psicologia alimentar pode agir em nosso organismo

– Stress pode fazer você engordar e relaxamento pode emagrecer: É fascinante como estresse, medo, ansiedade, raiva, julgamento e até mesmo uma “auto conversa” negativa literalmente pode criar uma resposta de estresse fisiológico no corpo. Isso significa que geramos mais cortisol e insulina, dois hormônios que têm o efeito indesejado de sinalizar para o corpo para que armazene peso e gordura.

Por estranho que possa parecer, mudamos literalmente nossa capacidade de queimar calorias quando estamos estressados. O que é mais incrível, porém, é que, quando aprendemos a buscar mais o lado positivo da vida e respiramos mais profundamente, o corpo entra em uma resposta de relaxamento fisiológico. Nesse estado, nós realmente colaboramos para que nosso metabolismo funcione da melhor forma possível. Então você poderia estar seguindo a melhor dieta de perda de peso do mundo, mas se você é extremamente ansioso, o poder que a sua mente exerce poderá estar limitando drasticamente a perda de peso do seu corpo.

Muitas pessoas adotam estratégias de perda de peso estressantes, como dietas extremamente restritivas, e impossíveis de seguir, ou programas de exercícios excessivamente intensos, comida insípida, shakes com uma quantidade de calorias extremamente baixa, tudo isso pode criar o tipo de química de estresse que garante que nosso peso permaneça como está.

Leia também: 10 hábitos que favorecem a má digestão

Leia também: A Síndrome da Má Absorção

– Certifique-se de ter bastante prazer: Todos os organismos do planeta Terra, sejam animais, bactérias ou humanos, são programados no nível mais primitivo do sistema nervoso para buscar prazer e evitar a dor. Bem, se você está comendo e não prestar atenção, o cérebro vai levá-lo a procurar mais prazer através do ato de comer demais. O que é pior, se você está estressado ao comer, o excesso de cortisol em seu sistema o torna dessensibilizado ao prazer.

Se você quiser obter mais prazer no ato de comer, você não precisa comer mais sorvete ou doces. Basta respirar, relaxar, desfrutar, prestar atenção, e o corpo vai naturalmente experimentar o prazer que procura. Assim, uma vez que o prazer catalisa uma resposta de relaxamento, ele realmente facilitará a digestão e assimilação, levando ao seu cérebro a sensação saciedade.

– Exagero é algo mais complexo do que você pensa: A maioria das pessoas pensa que comer demais é um problema de força de vontade, mas não é bem assim. Geralmente as pessoas que comem de maneira exagerada o fazem porque estão dispersas, nem sempre estão totalmente presentes na refeição, conscientes de seu gosto, comem rapidamente, ou simplesmente se sentem nutridas pela comida.

Quando comemos rápido o corpo entra na resposta fisiológica do estresse, o que resulta em diminuição da digestão, diminuição da assimilação de nutrientes, aumento da excreção de nutrientes, diminuição da taxa de queima de calorias e maior apetite.

Quando isso acontece, o cérebro, literalmente, pensa que você não comeu, ou não comeu o suficiente. E, simplesmente, grita de volta: “estou com fome!”. Levando isso em consideração você pode diminuir drasticamente seu excesso de comida, aumentando sua consciência e presença em cada refeição, consequentemente, tendo mais sucesso em uma dieta, por exemplo.

– Livre-se de crenças nutricionais tóxicas: Muitas pessoas têm absorvido e vivido sob crenças nutricionais que são tão prejudiciais e debilitante como qualquer uma das toxinas em nosso alimento. É surpreendentemente comum que as pessoas acreditem que “a comida é o inimigo”, ou “a comida me faz engordar”, ou “a gordura presente nos alimentos se tornará gordura no meu corpo” ou “meu apetite é o inimigo”, ou “assim que eu tiver o corpo perfeito, então eu finalmente serei feliz”. Sendo assim estas pessoas estão constantemente em situação de stress e ansiedade sempre que comem, ou mesmo pensam em comida. 

Um estressor tão poderoso pode causar todos os problemas de desligamento digestivo, diminuição da capacidade de queimar calorias e uma vida interior que raramente estará em paz.

Observe então que há mais elementos que afetam a alimentação que simplesmente o alimento por si só. Nós trazemos à mesa nossas esperanças, medos, pensamentos, sentimentos, dramas, e sonhos. E quanto mais incluímos um perfil nutricional bem equilibrado que inclui: relaxamento, prazer e comer de forma mais lenta, mais poderemos nos nutrir em todos os níveis, consequente nos livrando de exageros alimentares.

Fonte: Valéria Lemos Palazzo (Psicóloga e Neuropsicóloga – Idealizadora, Criadora e Coordenadora do GATDA – Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares, da Ansiedade e de Humor)