A imunologia deveria estar presente na prática do nutricionista

Antes de iniciar a graduação de nutrição, ouvia que esta área demandava muito conhecimento de fisiologia, anatomia e principalmente bioquímica. Porém, no início dos estudos percebi que a imunologia deveria estar presente na prática do nutricionista.

De fato, estes conhecimentos são fundamentais para que o nutricionista possa compreender como o corpo humano funciona, todos os seus processos metabólicos e fisiológicos, o que acontece em condições fora da homeostase, bem como em condições patológicas, e o que precisa ser feito nesses casos para retomar essa homeostasia, podendo assim restabelecer a saúde e melhorar a qualidade de vida dos  pacientes.

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A imunologia deveria estar mais presente

Além da fisiologia, anatomia e bioquímica, existe uma área que muitas vezes não tem sua importância mencionada como deveria. Trata-se da imunologia. 

Em muitos casos durante a graduação, o estudante de nutrição tem pouco contato com a imunologia, seja pelo fato de possuir uma carga horária menor que outras áreas da saúde, ou por não ser uma disciplina obrigatória na grade curricular de algumas instituições.

A consequência disso é que, a partir do momento que o nutricionista recém-formado começa a clinicar, pode sentir dificuldades em compreender alguns processos metabólicos, a fisiopatologia das doenças, além das correlações entre os sinais e sintomas dos pacientes. Todos estes fatores podem acabar dificultando a sua conduta, e consequentemente um diagnóstico nutricional incorreto.

 Desta forma, se faz necessário instituir nos cursos de graduação em nutrição a disciplina de imunologia, iniciando pela imunologia básica, para compreensão do que é o sistema imune, quais são as células envolvidas e como elas atuam nos processos imunológicos, representados pela imunidade inata e imunidade adaptativa. 

 Esse entendimento se faz importante pelo fato de que praticamente tudo que acontece em nosso organismo é reflexo de respostas imunes, desde o reconhecimento de um antígeno, que pode ser originário de um microrganismo que invade o organismo (exógeno), um autoantígeno gerado por moléculas e células do próprio corpo (endógena), ou ainda, fragmentos alimentares que podem ser reconhecidos como corpos estranhos e gerar respostas como uma reação alérgica.

Assim, o conhecimento da imunologia  para o nutricionista, somado ao entendimento que possui acerca dos alimentos e suas propriedades, trará um visão científica e ampla, a fim de conseguir modular o sistema imune, não apenas para prevenir doenças e promover saúde, mas também para o auxiliar no tratamento de forma individualizada.

Colaboração: Biomédica Drª Mayara Vianna de Menezes (CRBM 5691)