A diferença entre ser vegetariano e vegano

Atualmente, muitas informações e esclarecimentos sobre os prejuízos que o consumo da carne traz, não só, para os animais, mas também, para as pessoas e principalmente ao planeta, tem vindo a tona e contribuído para que, cada vez mais e mais, pessoas deixem de comer e consumir produtos de origem animal. Mas muita gente ainda não distingue bem a diferença entre ser vegetariano e vegano, nós, do Nutrição & Prazer, vamos esclarecer esta dúvida, pois, existem, além de diversas subdivisões, diferenças importantes entre essas duas práticas alimentares.

Há diversas razões que levam uma pessoa a adotar uma dieta vegetariana, que vão desde não gostar de comer carne, passando por questões religiosas, até o respeito aos direitos animais. Os que são vegetarianos pelos animais geralmente optam também pelo veganismo, por ser uma filosofia mais condizente com os direitos animais. É importante enfatizar que vegetarianismo não tem necessariamente a ver com direitos animais, e que alguém pode ser vegetariano por qualquer outra razão, como: a saúde, o meio ambiente, a estética e a economia.

Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, concluiu que atualmente 14% de toda a população do país já se declara vegetariana, ou seja mais de 30 milhões de brasileiros vivem sem consumir nenhuma carne em suas refeições. Trata-se de um crescimento considerável com relação às últimas estimativas (de 2012 para cá o crescimento foi de 75%, quando a proporção era somente de 8% da população).

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Uma das entidades mais respeitadas em termos de nutrição, a Associação Dietética Americana (American Dietetic Association) tem um parecer favorável ao vegetarianismo desde 1993. Em 2003, em união com a organização Nutricionistas do Canadá, foi acrescentado ao parecer que “os profissionais da área da nutrição têm o dever de encorajar e incentivar as pessoas que expressam intenção de se tornarem vegetarianas”.

Um rápido apanhado da história

Citações em relação ao não consumo de carne animal remonta desde o antigo Egito, quando, por volta de 3200 AC, o ato de não comer carne foi adotado por grupos religiosos, que acreditavam que esta atitude criava um poder cármico que facilitava a reencarnação. Já na Grécia Antiga existem algumas citações em textos dos grandes filósofos greco-romanos, quando existia a crença numa ‘Era Dourada’ em que a humanidade viveria em paz e não comeria animais. Tal crença aparece registrada pela primeira vez na obra do poeta grego Hesíodo, no século VIII a.C..

Na Idade Média, entre os séculos V e XV, alguns padres da Igreja Católica, como Tertuliano, Clemente de Alexandria e São João Crisóstomo, acreditavam que evitar a carne era uma maneira de aumentar a disciplina e a força de vontade necessárias para resistir às tentações.

O vegetarianismo, propriamente dito, tem sua origem na tradição filosófica indiana, que chega ao Ocidente na doutrina pitagórica. Nas raízes indianas e pitagóricas do vegetarianismo, são ligadas a noção de pureza e contaminação, não correspondendo com a visão de respeito aos animais. O nascimento de uma sensibilidade em relação aos animais, que condena o consumo de animais por motivos morais ou solidários, é muito recente na história da humanidade e surge a partir do século XIX em alguns países da Europa.

Juntamente com esta postura em relação ao respeito pelos animais, no século XIX, se iniciam inúmeros debates entre vegetarianos que consumiam produtos lácteos e/ou ovos e vegetarianos estritos. Em 1809, o Dr. William Lambe, um pioneiro do vegetarianismo estrito, escreveu livros sobre os possíveis benefícios desta filosofia no tratamento do câncer hepático e do estômago, e, em 1854, escreveu outros livros relacionando o vegetarianismo a outras doenças.

Em 1994, foi estipulado o Dia Mundial Vegano, por Louise Wallis, então presidente da Vegan Society da Inglaterra, a instituição vegana mais antiga do mundo, a que oficializou e cunhou o termo ‘vegano’, justamente no aniversário de 50 anos da Vegan Society, criada em 1944.

Vegetarianismo

Ao contrário do que algumas pessoas ainda pensem, o vegetarianismo, ou vegetarismo, não é uma dieta e sim um regime alimentar, que hoje em dia pode até ser chamado de ‘estilo de vida’, baseado no consumo de alimentos de origem vegetal. Define-se como a prática de não comer qualquer tipo de animal, com ou sem uso de laticínios e ovos.

Dentro do vegetarianismo se consolidou algumas subdivisões:

– Ovolactovegetariano: Consome não apenas produtos de origem vegetal, mas também consome ovos, leite e derivados. Quase sempre a motivação que leva as pessoas optarem por esta categoria de vegetarianismo estão ligadas a compaixão com os animais, motivo pelo qual grande parte dos ovolactovegetarianos passam a ser veganos.

– Lactovegetariano: Consome não apenas produtos de origem vegetal, mas também leite e derivados, porém não consomem ovos. Quase sempre este tipo de vegetarianismo está ligado à razões religiosas. É o tipo de vegetarianismo predominante em países como a Índia.

– Ovovegetariano: Consome não apenas produtos de origem vegetal, mas também ovos, ao contrário do lactovegetariano,  ou seja, não consome leite nem derivados. Este tipo de vegetarianismo é o mais comum.

– Vegetariano Semi Estrito: Não consome alimento algum de origem animal, inclusive mel. Mas faz uso de vestiário, cosméticos, entretenimento que tem sua origem animal.

– Vegetariano Estrito: É o vegano propriamente dito, o qual iremos explicar abaixo.

– Crudívoros: Os crudívoros são aquelas pessoas que, principalmente, se motivam pela sua saúde, e consomem apenas alimentos crus. As pessoas que seguem este regime alimentar comem frutas e verduras que não precisam cozinhar, além de frutos secos.

Os crudíveros não são necessariamente veganos, pois, existem aqueles que incorporam alimentos de origem animal em sua dieta incluindo ovos, peixe mel e produtos lácteos, formando assim uma ramificação dentro desta categoria.

Existem outros termos, pouco usuais, como “semi vegetarianos” e “pesco vegetarianos”, que não são reconhecidos como termos vegetarianos.

Veganismo

O Veganismo é um movimento, ético e filosófico, não consomem nada de origem animal em nenhuma área de suas vidas. Alimentação, saúde, vestuário, limpeza, espetáculos ou qualquer outro tipo de atividade que envolva sofrimento animal é excluída da vida de uma pessoa vegana. O veganismo é uma postura política e não apenas um regime alimentar.

Para os veganos, é importante mostrar, ainda, sua filosofia de vida não somente a outras pessoas, mas também às empresas, através de boicote a produtos e serviços obtidos com sofrimento de animais. Produtos com qualquer ingrediente ou insumo de origem animal ou ainda testados em animais são riscados da lista de compras veganas.

Vegetarianismo e nutrição

Trabalhar a adequação da dieta é fundamental para preservar a integridade física das pessoas que seguem os tipos de regimes alimentares descritos acima, cada um suprindo suas necessidades nutricionais, para não debilitar seu organismo e a sua saúde.

Deve-se ter em mente que manter a saúde, sendo vegetariano (ou vegano), dependente das escolhas dietéticas e por isso é imprescindível ter conhecimento, um básico que seja, de nutrição, para que a ingestão de proteínas, vitaminas e minerais seja provida.

O hábito de praticar alguma atividade física regularmente também pode ser um grande aliado.